Ensino - Conexão Eclésia https://servolivre.com/category/ensino/ Nosso propósito é edificar o Corpo de Cristo Tue, 12 Feb 2019 21:22:22 +0000 pt-BR hourly 1 https://servolivre.com/wp-content/uploads/2024/10/cropped-servolivre-favicon-32x32.png Ensino - Conexão Eclésia https://servolivre.com/category/ensino/ 32 32 Falar em línguas é a evidência do batismo no Espírito? https://servolivre.com/2019/02/11/falar-em-linguas-batismo-no-espirito/ https://servolivre.com/2019/02/11/falar-em-linguas-batismo-no-espirito/#respond Mon, 11 Feb 2019 12:20:13 +0000 https://servolivre.com/?p=11838 O pentecostalismo sustenta a tese de que o falar em línguas é a evidência física inicial do batismo com o

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O pentecostalismo sustenta a tese de que o falar em línguas é a evidência física inicial do batismo com o Espírito. Sendo assim, a única forma de uma pessoa identificar se foi batizada com o Espírito é se essa experiência foi acompanhada pelo falar em línguas. 

A doutrina da evidência inicial fundamenta-se na tese de que Lucas, ao registrar em Atos certas ocorrências sobre o recebimento do Espírito, não estava apenas narrando fatos, mas por meio das narrativas estava ensinando a existência de um padrão para a experiência do batismo com o Espírito. E esse padrão seria marcado pela evidência do falar em línguas.

Há pelo menos três narrativas de Atos em que as línguas são claramente associadas ao batismo com o Espírito: o Pentecostes (Atos 2), a conversão de Cornélio e sua família (Atos 10 e 11) e a experiência dos crentes em Éfeso (Atos 19). 

O caso de Cornélio e sua família é particularmente representativo, pois ali nos é dito que Pedro identificou que o Espírito havia sido derramado pois os ouvia “falando em línguas e engrandecendo a Deus” (Atos 10:45,46). É possível que a expressão “engrandecendo a Deus” se refira ao conteúdo das línguas (como as línguas no Pentecostes falavam das grandezas de Deus – Atos 2:11) ou a algo que aconteceu paralelamente à manifestação das línguas. Contudo, Atos 11:15 não deixa dúvidas de que a atenção de Pedro foi despertada pelo fato de ter visto na casa de Cornélio a mesma experiência do Pentecostes:“Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio”.

Sobre o caso dos crentes em Éfeso, vemos que, ao receberem o Espírito Santo, eles “tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19:6). Como o texto não diz “enquanto uns falavam em línguas, outros profetizaram”, podemos supor que todos ali tiveram ambas as experiências.

O que há em comum no Pentecostes, na casa de Cornélio e em Éfeso é o batismo com o Espírito acompanhado pelo falar em línguas. Nas outras duas narrativas de Atos (Samaritanos e Paulo), não há registro da manifestação de línguas, mas é possível que tenha ocorrido. Em Samaria aconteceu algo muito perceptível aos que observavam, a ponto de Simão querer comprar o poder de impor as mãos para que as pessoas recebessem o Espírito. Já no caso de Paulo, embora nada é dito sobre qualquer manifestação, sabemos que em algum momento de sua jornada o apóstolo teve a experiência do falar em línguas (I Coríntios 14:18). Portanto, pode-se supor que essa experiência teria ocorrido quando foi cheio do Espírito em Atos 9:17,18.

Se contássemos exclusivamente com Atos, poderíamos inferir que as línguas seriam o sinal inevitável do batismo com o Espírito. Sendo o batismo com o Espírito uma experiência normativa para todo o cristão (Atos 2:38), então a evidência do falar em línguas também seria normativa para todos.

Entretanto, o fenômeno das línguas não é restrito ao livro de Atos, pois também aparece I Coríntios, onde Paulo o menciona entre os diversos dons (charismata) do Espírito, ainda que seja um dom marcado por particularidades. 

Em geral, os dons do Espírito são dados para a edificação da igreja. Entretanto, quem fala em línguas não fala aos homens, pois ninguém o entende,  mas a Deus, e em espírito fala mistérios (I Coríntios 14:2). Quando uma pessoa ora em línguas, o seu espírito ora de fato, mas a igreja só recebe edificação se as línguas forem interpretadas (I Coríntios 14:5,13-17).

Ao falar sobre as diversidade da obra do Espírito e as diferenças entre os membros do Corpo de Cristo, Paulo pergunta: “Falam todos em outras línguas?”. A resposta seguramente é não, da mesma forma que nem todos são apóstolos, ou profetas, ou mestres, ou operadores de milagres (I Coríntios 12:7-11, 27-30). Além disso, ao dizer “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis” (I Coríntios 14:5), Paulo reconhece o valor das línguas, mas também assume que nem todos ali em Corinto tinham esse dom. Até mesmo porque, apesar de podermos buscar os dons (I Coríntios 12:31; 14:1), sua distribuição é feita pelo Espírito conforme lhe apraz (I Coríntios 12:11). Como Paulo escreve: “Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve” (I Coríntios 12:18).

Diante disso, como conciliar a tese de que as línguas são sempre a evidência do batismo no Espírito com o fato de que Paulo parece tratar com naturalidade que nem todos falem em línguas?

O pentecostalismo estabelece uma distinção entre as línguas como sinal do batismo no Espírito (línguas evidenciais) e as línguas como um dom espiritual (variedade de línguas). Embora nem todos falem em língua como um dom, todos os que são batizados com o Espírito manifestariam as línguas evidenciais, ainda que esse fenômeno venha a ocorrer uma única vez.

No entanto, a distinção entre línguas como sinal e línguas como um dom não é apresentada em nenhum lugar do Novo Testamento. Inclusive, no início do movimento pentecostal, essa distinção não foi aceita por todos. F. F. Bosworth (1877-1958) foi um dos mais conhecidos líderes pentecostais a rejeitar a doutrina da evidência física inicial. Tendo participado da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos em 1914, Bosworth começou a contestar a distinção entre as línguas de Atos e as línguas de I Coríntios, afirmando que ambos os livros tratam do dom de línguas, e que estas não seriam a única evidência do batismo com o Espírito. Tal posicionamento fez com que F. F. Bosworth se desligasse das Assembleias de Deus em 1918.

A questão sobre evidência inicial não envolve apenas uma discussão teológica, mas diz respeito a uma importante questão pastoral. Por muitas vezes o pentecostalismo é acusado de classificar os cristãos em duas categorias: os que falam em línguas e os que não falam, os quais seriam “cristão de segunda classe”. Considerando que muitos membros de igrejas pentecostais não falam em línguas, a doutrina da evidência inicial favoreceria um tipo de “elitismo espiritual”, pois os que falam em línguas são considerados como batizados com o Espírito, enquanto os que não falam em línguas (e que talvez nunca falem, se as línguas forem apenas um dom) seriam classificados como não-batizados com o Espírito, não importando quão intensas ou surpreendentes sejam suas experiências com o Espírito Santo. Enquanto não falarem em línguas, essas pessoas não serão consideradas batizadas com o Espírito.

Outra questão pastoral importante é fato de que certas pessoas, mesmo não falando em línguas, parecem contar com o poder para testemunhar concedido pelo batismo com o Espírito. Isso é observado pelo teólogo pentecostal Robert P. Menzies, que admite a possibilidade de que cristãos que não falam em línguas experimentem, em graus variados, o poder pentecostal. Entretanto, para Robert P. Menzies, a experiência completa do poder pentecostal inclui necessariamente o falar em línguas. 

Ao responder se é possível uma pessoa ser batizada com o Espírito sem falar em línguas, Menzies declara: “Talvez. Mas por que nos contentaríamos com menos do que a experiência apostólica completa?”. No entanto, tal comentário reflete a dificuldade da teologia pentecostal de provar cabalmente que o batismo com o Espírito sempre é evidenciado pelas línguas. Afinal, como um autor escreve uma obra para defender a doutrina pentecostal da evidência física inicial, mas no mesmo livro cogita a possibilidade de alguém ser batizado com o Espírito sem falar em línguas? Essa dificuldade se assenta no fato de que não há nenhum ensino claro no Novo Testamento que estabeleça de forma inquestionável a relação entre as línguas e o batismo com o Espírito.

Além disso, existem testemunhos de cristãos que alegam ter experimentado o batismo com o Espírito Santo sem falar em línguas, ou só falaram algum tempo depois.

Há ainda uma última questão pastoral apontada inclusive por autores pentecostais: o risco da evidência inicial se tornar mais importante do que o propósito do batismo com o Espírito. O revestimento de poder tem como propósito o testemunho, e não o falar em línguas, que seria apenas um sinal de que você foi revestido. 

A “super-valorização” do falar em línguas foi denunciada por William J. Seymour (1870-1922), pioneiro pentecostal e líder do conhecido Reavivamento da Rua Azusa, em Los Angeles. Para Seymour, quem colocava o foco em buscar as manifestações, em lugar de buscar o próprio Senhor, estaria propenso a falsificações. Ele mesmo abandonou a doutrina das línguas como evidência física inicial, dizendo que tal doutrina abria a porta para enganos e que deixava a Palavra de Deus para instituir um ensinamento humano. Seymour não negou a contemporaneidade ou o valor das línguas, mas não mais concebia esse fenômeno como único sinal que atestava a experiência do batismo com o Espírito Santo.

Apesar das críticas feitas à doutrina da evidência física inicial, é necessário que admitir que multidões, dentro e fora do pentecostalismo, tem recebido o batismo com o Espírito acompanhado pelo falar em línguas. Essa, inclusive foi a minha experiência, quando eu nem mesmo acreditava no batismo com o Espírito como experiência distinta da regeneração. Entretanto, como nosso critério para avaliarmos todas as coisas são as Escrituras, precisamos conferir se a doutrina da evidência física inicial encontra sustento sólido nelas.

Antes de chegarmos a uma resposta sobre a evidência inicial, proponho uma reflexão sobre os seguintes pontos:

  1. Pedro fundamenta a experiência do Pentecostes na profecia de Joel que afirma que todo o povo de Deus receberia capacitação profética (em diferentes aspectos: sonhos, visões e profecia). Já abordamos no segundo capítulo deste livro que as línguas de Atos 2 podem ser entendidas como um tipo de profecia, pois foi um discurso inspirado pelo Espírito e não eram línguas estranhas para quem as compreendia. Entretanto, considerando que Joel fala sobre diferentes aspectos da atividade profética, por que o cumprimento dessa promessa necessariamente seria evidenciado apenas e exclusivamente pelo falar em línguas?
  2. Jesus descreve o batismo com o Espírito como um revestimento de poder para testemunhar (Lucas 24:49; Atos 1:8). Tendo em vista o propósito do batismo com o Espírito, será que esse poder só é concedido por meio de uma experiência que necessariamente inclui o falar em línguas? Não haveriam outras experiências com o Espírito que cumpririam esse propósito de conferir poder para testemunhar?
  3. Há certos pontos das narrativas de Atos que devem ser observados: não há registro da manifestação que acompanhou a experiência dos samaritanos (Atos 8) e a de Paulo (Atos 9); na casa de Cornélio, as pessoas estavam “falando em línguas e engrandecendo a Deus” (Atos 10:46); e em Éfeso os discípulos “tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19:6). A falta de registro de manifestações em duas narrativas, e o acréscimo de detalhes em outras duas, não seriam indícios de que Lucas concebia outras evidências do batismo com o Espírito, além do falar em línguas?
  4. Ao tratar do dom de línguas, Paulo deixa claro que esse é um dom com muitas particularidades, posto que, sem interpretação, não cumpre o papel de edificar a igreja, mas edifica apenas aquele que exerce o dom. Estando o falar em línguas tão marcado por particularidades, se houvesse ainda uma outra manifestação mais específica desse fenômeno, como sinal do batismo com o Espírito, não faria sentido que Paulo desse alguma explicação sobre isso?
  5. Em I Coríntios 12:1-7, Paulo escreve sobre a diversidade dos dons, dos serviços e das realizações do Espírito. Considerando que a obra do Espírito é tão variada, poderíamos dizer taxativamente que existe uma única evidência para o recebimento do batismo com o Espírito Santo?
  6. Por fim, na história e na atualidade sabemos de muitos cristãos que derem testemunho do Evangelho com poder, mas não falaram em línguas. Houve grandes avivamentos nos quais não há registro da manifestação do falar em línguas. Além disso, muitos homens de Deus não tiveram essa experiência. Será que poderíamos dizer que essas pessoas não foram batizadas com o Espírito?

Não podemos fugir do fato de que Atos apresenta o fenômeno das línguas como algo que comumente acompanha do batismo com o Espírito. Não deveríamos nos surpreender pelo fato de que muitas pessoas, ao serem batizadas com o Espírito, manifestam o falar em línguas. Entretanto, considerando todos os pontos levantados acima, e lembrando que o batismo com o Espírito é uma capacitação para a missão, podemos concluir que outras experiências podem servir a esse propósito, como a profecia, as visões ou o irromper em louvores. Não há amparo bíblico suficiente para dizermos que as línguas são a única evidência de que uma pessoa foi batizada com o Espírito.

Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”.
Autor: Anderson Paz
Disponível em formato digital:

– Na Amazon (clique aqui).
– Na Apple (clique aqui).

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Vasos de ira e vasos de misericórdia https://servolivre.com/2019/02/04/vasos-de-ira-e-vasos-de-misericordia-2/ https://servolivre.com/2019/02/04/vasos-de-ira-e-vasos-de-misericordia-2/#respond Mon, 04 Feb 2019 12:25:12 +0000 https://servolivre.com/?p=11791 A referência que Paulo faz aos vasos de ira e aos vasos de misericórdia tem sido objeto de inúmeras discussões.

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A referência que Paulo faz aos vasos de ira e aos vasos de misericórdia tem sido objeto de inúmeras discussões. Afinal, o que o apóstolo quis dizer em Romanos 9:20-23?

Uma leitura descuidada pode nos dar a impressão de que algumas pessoas são criadas por Deus para a perdição, de forma incondicional, sem que Ele considere qualquer atitude ou escolha dessas pessoas. Sob essa ótica, se alguém foi criado para ser um vaso de ira, não haveria nada a ser feito para mudar o seu destino pré-determinado. A figura do vaso, um objeto inanimado, desprovido de vontade, pode gerar a impressão de que o destino de cada pessoa é determinado de forma incondicional por Deus. Porém, isso é um equívoco.

Estou convencido de que o apóstolo não usou a figura dos vasos de ira para dizer que Deus criou pessoas com o fim de condená-las para a perdição. Na verdade, Deus decidiu usar sua misericórdia para com todos (Romanos 11:32).

Abaixo explicarei as razões para o meu posicionamento. Mas, antes de tudo, vejamos o texto em questão:

“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? 
Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição,
a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão”
(Romanos 9:20-23).

Seguem abaixo algumas considerações sobre a referência que Paulo faz aos vasos da ira e vasos de misericórdia. Ao fim, apresentarei minha conclusão.

1) A maior parte das Escrituras é de fácil compreensão. Se assim não o fosse, a Bíblia só seria entendida por grandes estudiosos. Contudo, até uma criança pode saber as sagradas letras: “desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (II Timóteo 3:15).

2) O fato de que a maior parte das Escrituras seja de fácil compreensão, não elimina a verdade de que há alguns textos mais complexos. Isso é reconhecido por Pedro que, ao fazer referência às cartas de Paulo, reconheceu que nelas havia certas coisas difíceis de entender, “… que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (II Pedro 3:15,16).

3) Não sabemos exatamente que textos de Paulo eram considerados “difíceis de entender” por Pedro, mas isso já é suficiente para não nos colocarmos diante certos textos, especialmente os que tratam de temas polêmicos, e darmos interpretações simplistas.

4) A fala de Paulo sobre os vasos de ira e os vasos de misericórdia é inserida em um contexto que trata de um tema sensível: a aliança da Deus com Israel. Toda a argumentação que o apóstolo começa a desenvolver em Romanos 9 e conclui em Romanos 11 é para mostrar que a justificação pela fé tanto de judeus quanto de gentios não implica infidelidade de Deus em relação a Israel. Portanto, o propósito principal de Paulo em Romanos 9 ao 11 não é falar sobre a salvação de indivíduos.

5) Ao buscarmos a fundamentação de qualquer doutrina, devemos dar atenção aos textos cujos contextos tratam explicitamente da referida doutrina. Versículos isolados que parecem tratar de um assunto não podem ser valorizados a ponto de ignorarmos textos escritos com a intenção clara de abordar o tema. Sendo assim, o capítulo 5 de Romanos se ocupa em tratar da extensão do pecado e do alcance da misericórdia de Deus. E nesse contexto, Paulo é muito claro. A  graça de Deus, que possibilita a justificação, se estende a todos homens:

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. … Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida (Romanos 5:12,18).

6) Retornando para Romanos 9, vemos que o tema ali desenvolvido só é concluído em Romanos 11, onde o apóstolo afirma claramente: “Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos (Romanos 11:32). A extensão da misericórdia alcança todos os que foram encerrados debaixo da desobediência. Portanto, a referência aos vasos de ira não pode ser interpretada de modo que nos leve a uma conclusão diferente da que o apóstolo chegou. E a conclusão de Paulo é que Deus decidiu usar misericórdia para com todos.

7) Para falarmos sobre os vasos de ira precisamos ir aos textos que tratam da ira de Deus. Em Romanos 2, por exemplo, Paulo está escrevendo a um interlocutor hipotético, a um homem que pratica as mesmas coisas que condena. Paulo afirma que tal homem desprezava a paciência de Deus e ignorava que a bondade do Senhor o conduzia ao arrependimento. Por ter um coração duro e impenitente, essa pessoa estava acumulando ira de Deus contra si mesma. Sendo assim, sua condenação não se daria por falta da bondade ou de paciência da parte do Senhor, mas como resultado de suas atitudes.  A ira de Deus não recai de forma incondicional e arbitrária sobre uma pessoa, mas sim por causa de suas escolhas pecaminosas.

“Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. 
Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas.
Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus?
Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?
Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, 
que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento:
a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;
mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.
Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego;
glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.
Porque para com Deus não há acepção de pessoas (Romanos 2:1-11).

Esse texto nos dá motivos suficiente para concluirmos que os vasos de ira não são preparados para a perdição de forma incondicional, sem que suas escolhas sejam consideradas. Ao desprezarem a bondade de Deus, se entregando à pratica do mal, os vasos de ira estão preparados para a perdição, posto que não podem fugir do juízo de Deus. Portanto, antes que Deus considere alguém um vaso de ira, Ele leva em conta as escolhas do homem. Pode ter algumas escolhas livres, mas não podemos determinar as consequências de nossas escolhas.

8) Romanos 1 é um dos capítulos em que Paulo mais se ocupa em escrever sobre a ira de Deus. No versículo 18, o apóstolo afirma que a ira de Deus se manifesta contra a injustiça dos homens. O que torna os homens indesculpáveis é o fato de que, tendo conhecimento de Deus (revelado na criação), não o glorificaram como Deus. Portanto, a ira de Deus não é incondicional, arbitrária ou fatalista.

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;
porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Romanos 1:18-21).

9) Ainda em Romanos 1, vemos o Senhor entregando os homens “à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração”(v. 24). Por terem adorado a criatura no lugar do Criador, “Deus os entregou às paixões infames” (v. 26). Foram entregues a uma “disposição mental reprovável”, por haverem desprezado o conhecimento de Deus (v. 28). Tais ações divinas não foram decretadas de forma incondicional, pois levaram antes em conta a atitude dos homens.

“Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 
e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.
Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;
pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;
semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Romanos 1:22-28)

10) Em II Timóteo 2:19-21, Paulo escreve sobre os vasos de honra e de desonra, e afirma que se uma pessoa se purificar de certos erros se tornará um vaso de honra. Assim sendo, o estado de vaso de honra ou de desonra não é determinado incondicionalmente por Deus. O mesmo podemos dizer sobre os vasos de ira e os de misericórdia.

“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.
Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra.
De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra (II Timóteo 2:19-21).

11) No Antigo Testamento, a ilustração do vaso nas mãos do oleiro não é usada para dizer que Deus cria os homens para a perdição ou salvação de forma incondicional. Muito pelo contrário, essa ilustração mostra que o trato do Senhor com o barro leva em conta as atitudes do “barro”, ou seja, do povo. O que essas passagens destacam é a inevitabilidade do trato de Deus, e não afirmam que Deus cria algumas pessoas para o bem e outras para o mal.

Assim como barro não pode resistir ao trato do oleiro, o homem não pode resistir ao juízo de Deus. Quando o povo escolhe o mal, por consequência receberá o devido o juízo. Contudo, quando há arrependimento, Deus pode afastar o juízo. Assim como o oleiro quebra o vaso e o faz de novo, assim o Senhor pode mudar o que havia declarado sobre o seu povo. Sendo assim, vasos de ira e vasos de misericórdia não são moldados sem que suas escolhas sejam consideradas.

“Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do SENHOR: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria. Ora, pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que estou forjando mal e formo um plano contra vós outros; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas ações“ (Jeremias 18:3-11).

12) Em Isaías 29:15 e 16, a ilustração do oleiro e do vaso é usada para denunciar a falta de temor daqueles que faziam o mal e pensavam que não prestariam contas a Deus. Em nenhum momento é dito que Deus cria pessoas para fazerem o mal e para a perdição.

“Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece? Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe” (Isaías 29;15,16)

13) A forma como as Escrituras revelam o caráter de Deus nos impede de pensar que Ele prepara vasos de ira de forma incondicional, preparados arbitrariamente para a perdição. A verdade é que Deus não tem prazer na morte do ímpio, pois quer que este se converta a viva (Ezequiel 33:11).

Conclusão: À luz das considerações acima, podemos constatar que ninguém é criado para ser um vaso de ira incondicionalmente. Pelo contrário, é a resistência do homem à graça de Deus que o faz acumular ira contra si mesmo. O homem escolhe a rebelião contra Deus, mas não tem o poder de evitar as consequências dessas escolhas, pois não pode afastar o juízo. Entretanto, o Senhor é paciente e quer que todos cheguem ao arrependimento, ao pleno conhecimento da verdade (II Pedro 3:9). Vasos de ira podem se tornar vasos de misericórdia.

Em Cristo,
Anderson Paz


Conheça o livro “O Batismo com o Espírito Santo”.
Autor: Anderson Paz
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Batismo com o Espírito Santo – Por que falar nisso? https://servolivre.com/2019/01/21/o-batismo-com-o-espirito-santo-1/ https://servolivre.com/2019/01/21/o-batismo-com-o-espirito-santo-1/#respond Mon, 21 Jan 2019 12:30:59 +0000 https://servolivre.com/?p=11516 Infelizmente, ainda não há unanimidade entre os cristãos acerca do batismo com o Espírito Santo. Existem discussões que giram em

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Infelizmente, ainda não há unanimidade entre os cristãos acerca do batismo com o Espírito Santo. Existem discussões que giram em torno do significado dessa experiência, do momento em que ela ocorre e quais seriam as suas evidências. Tais divergências tomaram uma proporção tão grande que provocaram ao longo do século XX uma série de divisões em muitas comunidades.

Hoje podemos constatar que as tensões entre os diferentes grupos têm diminuído em favor da unidade do Corpo de Cristo. Essas tensões ainda não estão totalmente eliminadas, mas existe uma abertura maior para o diálogo e convivência. Entretanto, as diferenças continuam bem estabelecidas no campo teológico.

As compreensões divergentes nascem da forma como cada grupo enxerga e trata o material bíblico sobre o tema. Uma leitura rápida pode apontar aparentes diferenças entre textos narrativos (aqueles que se ocupam em relatar fatos, como a maior parte do livro de Atos) e os textos didáticos (aqueles em que o autor teve a intenção de ensinar algo, como os discursos de Jesus e dos apóstolos e as epístolas).

Além do Pentecostes, há pelo menos duas narrativas do livro de Atos que parecem  descrever o batismo com o Espírito Santo como experiência distinta e separada por um intervalo de tempo da conversão. Trata-se da experiência dos crentes em Samaria (Atos 8:14-17) e em Éfeso (Atos 19:1-7).

Contudo, há textos didáticos que se referem ao batismo com o Espírito ou recebimento do Espírito como um fato que já ocorreu com todo o cristão no início de sua jornada com Cristo. Um texto sempre citado nesse debate é o de I Coríntios 12:13:

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (I Coríntios 12:13).

Portanto, o problema que se apresenta é o seguinte: de um lado há textos didáticos que parecem não reconhecer nenhuma separação entre a regeneração e o batismo com o Espírito, enquanto que, por outro lado, há textos narrativos que apresentam pessoas já convertidas que ainda não haviam sido batizadas com o Espírito Santo. As tentativas de esclarecer essa questão fizeram com que surgissem duas correntes teológicas distintas.

a) A corrente que identifica o batismo com o Espírito Santo como fato ocorrido na regeneração

Para parte dos estudiosos, o batismo com o Espírito Santo é um fato que acontece na regeneração, no novo nascimento, pelo qual o crente é incluído no corpo de Cristo, independentemente desse fato ser percebido, experimentado ou sentido. Assim sendo, a regeneração e o batismo com o Espírito seriam indissociáveis e inseparáveis. No Brasil,  essa corrente tem sido chamada de “tradicional” por estar associada a denominações históricas.

Tal compreensão é construída a partir dos texto didáticos do Novo Testamento, como  I Coríntios 12:13, que já mencionamos anteriormente. Além disso, como o batismo com o Espírito também é descrito como recebimento do Espírito, necessariamente todo o cristão já o recebeu. Seria até mesmo um contrassenso dizer que alguém é cristão sem receber esse batismo, pois, como Paulo declara: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9), “porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gálatas 4:6) e “o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5:5).

Sob essa ótica, o batismo com o Espírito “se efetua sem que nós tenhamos dele consciência alguma, e só sabemos que ele se realizou em nós porque Deus o afirma em sua Palavra”. Nas palavras de John Stott, o batismo com o Espírito “é uma experiência cristã universal, por ser uma experiência cristã inicial. Todos os cristãos recebem o Espírito no momento em que começam as suas vidas cristãs”.

Se o batismo com o Espírito acontece no novo nascimento, sendo um fato imperceptível, como uma pessoa saberia que o recebeu? Em primeiro lugar, essa pessoa deveria simplesmente crer que já recebeu o Espírito, tal como crê que recebeu a salvação. Além disso, a vida de quem foi batizado com o Espírito demonstraria esse fato, pois o próprio Espírito começa a operar uma obra de transformação a partir da regeneração. A presença do Espírito é evidenciada pelo seu fruto (Gálatas 5:22,23). Aquele que é nascido de Deus é caracterizado, entre outras coisas, por não viver na prática do pecado (I João 3:9), amar o seus irmãos (I João 4:7, 5:1) e vencer o mundo (I João 5:4).

Como essa corrente trata a diferença entre os textos narrativos e os textos didáticos? Ela parte do princípio de que uma doutrina não deveria ser estabelecida com base em narrativas, mas apenas nos textos didáticos. As narrativas devem ser interpretadas à luz da doutrina exposta nos textos didáticos.

Sendo assim, as narrativas de Atos que mostram a ocorrência do batismo com o Espírito como experiência posterior à conversão devem ser encaradas como situações excepcionalíssimas, que só aconteceram no período de transição entre a Antiga e a Nova Aliança, a fim de atender a propósitos muito específicos. O intervalo de tempo entre a regeneração e o batismo com o Espírito não seria normativo para os cristãos, visto que não há registro sobre isso nos textos didáticos.

Alguns identificam essa corrente com o cessacionismo, posição teológica que nega a contemporaneidade de certos dons espirituais. De fato, autores como John MacArthur sustentam tanto a tese cessacionista como a que une o batismo com o Espírito à regeneração. Entretanto, há autores continuístas, que defendem a contemporaneidade dos dons, mas que acreditam que a expressão “batismo com o Espírito” deveria ser usada para designar o recebimento do Espírito na conversão, e que, portanto, não estaria associada a um específico dom espiritual. Entre tais autores podemos mencionar D. A. Carson, Wayne Grudem e Sam Storms.

Há ainda a posição sustentada por James G. Dunn, que também associa o batismo com o Espírito à conversão. Entretanto, Dunn defende que, no Novo Testamento, a conversão não consistiria num único fato, mas sim num processo que incluiria a fé, o arrependimento, o batismo com água e o batismo ou recebimento do Espírito, sendo este o ponto culminante da conversão. Para Dunn, o batismo com o Espírito era uma experiência definida, e muitas vezes dramática, que completava a chamada “conversão-iniciação”, de tal forma que só a partir dessa experiência uma pessoa poderia ser considerada cristã.

b) A corrente que identifica o batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da regeneração

Há uma corrente defende que o batismo com o Espírito seria uma experiência consciente, definida, identificável e distinta da regeneração, podendo ser subsequente a esta. Não seria um fato automático ou imperceptível, mas uma experiência intensa que pode ser percebida por quem a vivencia.

O batismo com o Espírito é uma bênção distintiva e própria da Nova Aliança, visto que era o Messias quem o realizaria. Já a regeneração era algo que acontecia desde a Antiga Aliança. Afinal, quando Jesus falou com Nicodemos “importa-vos nascer de novo” (João 3:7), não podemos supor que estava se referindo a algo que só estaria disponível depois de Sua morte e ressurreição, como se Nicodemos tivesse que ficar a espera da possibilidade da regeneração.

Na conversa entre Jesus e Nicodemos, vemos que ninguém pode ser salvo sem nascer de novo (João 3:3-5; cf. Tito 3:5). E Jesus se referiu a seus discípulos como pessoas que deveriam se alegrar por terem seus nomes escritos nos céus (Lucas 10:20) e que já estavam limpos pela Palavra (João 15:3; cf. 13:10). Portanto, as promessas sobre o batismo com o Espírito Santo foram feitas a pessoas já regeneradas.

As narrativas de Atos que, sob a vigência da Nova Aliança, mostram um intervalo de tempo entre a conversão e o batismo com o Espírito indicariam a possibilidade de uma pessoa ser verdadeiramente regenerada, já sendo habitada pelo Espírito Santo, mas ainda assim não ter sido batizada com o Espírito.

Tal posicionamento é conhecido como “doutrina da subsequência”, designação que talvez não seja a mais apropriada, pois essa corrente admite que o batismo com o Espírito pode ocorrer quase ao mesmo tempo da regeneração, a ponto de não ser perceptível um intervalo entre os dois acontecimentos.

Portanto, o que caracteriza essa corrente não é a extensão do intervalo entre os dois eventos. Sua ênfase não estaria na subsequência temporal, mas sim na separação teológica entre a regeneração e o batismo com o Espírito, no sentido de serem acontecimentos de natureza e propósito distintos, mesmo quando ocorrem de forma quase simultânea. Em função disso, neste livro adotaremos a designação “doutrina da separabilidade”.

Há quem pense que a doutrina da separabilidade é defendida exclusivamente pelo pentecostalismo, movimento que surgiu no início do século XX. Porém, tal compreensão é muito anterior a isso, tendo precedentes no movimento puritano inglês no século XVII e em certos movimentos reavivalistas que ocorreram entre os séculos XVIII e XIX.

Entretanto, o maior responsável pela propagação da doutrina da separabilidade realmente foi o movimento pentecostal. Além disso, tal movimento também afirmou a tese de que o batismo com o Espírito Santo sempre é acompanhado pela evidência física inicial do falar em línguas. A doutrina da evidência física inicial tornou-se característica distintiva do chamado “pentecostalismo clássico” (ainda que na origem do movimento havia discordâncias sobre essa doutrina).

Como os defensores da separabilidade encaram os textos didáticos que parecem não reconhecer intervalo algum entre a regeneração e o batismo com o Espírito?

Uma das formas de lidar com essa diferença é dizer que cada autor bíblico deve ser analisado em seus próprios termos. Assim, uma mesma expressão poderia ser usada com significados diferentes por cada autor. Ao falar sobre o recebimento ou batismo com o Espírito, Paulo estaria destacando a obra do Espírito ligada à salvação, enquanto Lucas, no livro de Atos, destacaria a obra carismática de capacitação. Porém uma perspectiva não excluiria a outra, pois seriam complementares.

Há também autores que afirmam que não deveríamos estranhar que certos textos didáticos não apresentem distinção entre regeneração e o batismo com o Espírito, tendo em vista que esta era a experiência comum dos primeiros cristãos, sendo vivenciada logo nos primeiros momentos da vida cristã.

Por que escrever sobre o batismo com o Espírito Santo?

Tendo me convertido em uma denominação tradicional, desde cedo tive acesso à corrente que identifica o batismo no Espírito com a regeneração. A primeira obra que li acerca desse tema foi o livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo”, de John Stott.

O referido livro moldou, por certo tempo, minha convicção e me deu argumentos para sustentar a crença de que o batismo com o Espírito ocorre na regeneração. Eu estava de tal maneira seguro e convencido dessa posição que nem mesmo “perdia meu tempo” lendo autores que apresentassem outro ponto de vista, mas apenas os que sustentavam a mesma ideia. Considerava que os irmãos pentecostais, apesar de sinceros, não conheciam a verdadeira doutrina do batismo com o Espírito.

Contudo, houve um momento em que as lacunas e inconsistências da corrente tradicional se tornaram evidentes para mim, e a leitura de certos textos bíblicos exigiram uma reconsideração sobre a minha posição. Durante um processo de reflexão a partir das Escrituras, deixei a posição que afirmava a identidade entre o batismo com o Espírito e a regeneração. Fui convencido de que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta e separada do novo nascimento, que capacita o crente com poder para testemunhar, e que pode ser acompanhada pelo falar em línguas ou por outra manifestação.

O presente livro nasce com o propósito de compartilhar as reflexões que me levaram à mudança de posicionamento. Não tenho a intenção de que esta obra seja a mais completa sobre o tema. Meu desejo é simplesmente registrar o que foi determinante para a formação da minha compreensão atual, e com isso trazer alguma contribuição para os que se interessam pelo assunto.


Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”.

Autor: Anderson Paz
Disponível em formato digital:
– Na Amazon (clique aqui).
– Na Apple (clique aqui).

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Deus ama a todos e a cada um dos homens! https://servolivre.com/2019/01/15/deus-ama-a-todos-e-cada-um-dos-homens/ https://servolivre.com/2019/01/15/deus-ama-a-todos-e-cada-um-dos-homens/#respond Tue, 15 Jan 2019 13:14:50 +0000 https://servolivre.com/?p=11680 “Deus ama a todos e a cada um dos homens, ainda que estes tenham feito de tudo para não merecer

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“Deus ama a todos e a cada um dos homens, ainda que estes tenham feito de tudo para não merecer esse amor”. 

Seguramente, o mandamento “Amai os vossos inimigos” é um dos mais conhecidos ensinos de Jesus. Esse mandamento está fundamentado na verdade de que Deus faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos:“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (Mateus 5:43-45).

O cuidado de Deus em relação aos homens não se resume a fazer nascer o sol e dar as chuvas, e nem apenas às coisas desta terra. Afinal, “que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16:26). Todo cuidado de Deus para com os homens tem o objetivo de se fazer conhecido, de dar testemunho de Si mesmo:

“… nas gerações passadas, [Deus] permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria” (Atos 14:16,17).

O apóstolo Paulo, pregando na cidade de Atenas, se mostra convicto de que Deus proporciona condições para que os homens possam buscá-lo:

“…de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós (Atos 17:26,27).

Por isso, não deveríamos estranhar que Paulo, ao ensinar sobre o dever de orar por todos os homens, pelos reis e todas as autoridades, tenha destacado a verdade que fundamenta tal mandamento:  Deus quer que todos os homens sejam salvos:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (I Timóteo 2:1-6).

Orar por todos os homens é algo bom e aceitável diante de Deus, porque Ele quer que todos os homens sejam salvos, isso é evidenciado pelo fato de que Jesus se deu em resgate por todos.

Sei que certas pessoas apresentam objeções dizendo que “todos os homens”em I Timóteo 2:4 não significaria exatamente “todos os homens”, mas seria apenas uma referência a “todos os tipos ou classes de homens”. Entretanto, não vejo no texto qualquer razão  para pensar que a expressão “todos os homens” signifique  algo menos do que todos e cada um dos homens, sem qualquer exceção. Isso não deveria nos surpreender, posto que essa verdade é coerente com o que Deus revelou de Seu próprio caráter ao longo das Escrituras.

É o próprio Senhor que declara que não tem prazer na morte de ninguém, querendo antes que cada pessoa se converta e viva. Ele não tem prazer nem mesmo na morte do perverso, desejando sua conversão.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei” (Ezequiel 18:32).

Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? – diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva? (Ezequiel 18:23).

“Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?”(Ezequiel 33:11).

 

Deus verdadeiramente quer que o perverso deixe o seu mau caminho. O Senhor é rico em perdoar:

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar (Isaías 55:6,7).

Segundo o apóstolo Pedro, o Senhor é paciente, não querendo que ninguém pereça, mas sim que todos cheguem ao arrependimento.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9).

De fato, há alegria no céu quando um pecador se arrepende (Lucas 15:7).

E o que Deus fez para salvar o homem? Deu a maior demonstração de amor ao mundo, dando a vida de seu Filho unigênito, para que os que creem nEle tenham a vida eterna. A vida de Jesus foi dada em favor da vida do mundo.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3:16).

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:51).

Se ainda há alguém que duvide da extensão do amor de Deus, o apóstolo João deixa claro que Jesus é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro.

“e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro (I João 2:2).

Verdadeiramente, Jesus provou a morte por todos e a extensão da graça de Deus, de Seu favor imerecido, alcança a todos os homens. Assim como o pecado atingiu a todos, sem exceção, assim a misericórdia de Deus veio sobre todos.

“vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem (Hebreus 2:9).

“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” (Romanos 5:18).

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2:11).

A obra redentora foi possível porque Deus ama a todos. Por tudo isso, Paulo pôde declarar com toda certeza que o Deus vivo é o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (I Timóteo 4:10). À luz de João 3:16, sabemos que a salvação é oferecida ao mundo, mas só a recebem aqueles que depositam sua fé em Cristo. Jesus é o Salvador de todos os homens, pois não há nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos (Atos 4:12), mas Ele salva efetivamente todo aquele que crê no Evangelho, aquele que dá crédito à pregação.

Deus quis que fosse assim. Ele escolheu salvar pela loucura da pregação (I Coríntios 1:21). Por isso Jesus enviou seus discípulos a pregar o Evangelho à toda a criatura, anunciando a todos os homens que se arrependam de seus pecados. A fé vem por ouvir a pregação, e todo aquele que invocar o  nome do Senhor será salvo.

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura(Marcos 16:15).

“Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30).

“Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

O que torna possíveis a fé e o arrependimento é a obra do Espírito Santo de convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8-11)

É verdade o homem pode rejeitar à Palavra, resistir ao Espírito Santo e se recusar a crer e a se arrepender (Lucas 7:30, João 1:11; Mateus 23:17; Atos 7:51, 13:46 e 19:9; Apocalipse 2:21 e 16:11). Mas, apesar disso, o Evangelho continua sendo oferecido sinceramente por Deus a todo homem. Todos os que estão cansados e sobrecarregados podem ouvir do próprio Senhor: “Vinde a mim!” (Mateus 11:28,29). Os sedentos podem ouvir: “Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17). E multidões têm sido saciadas ao longo da história.

De fato, Deus ama a todos e a cada um dos homens, sem qualquer exceção. Deus é amor (I João 4:8)

Em Cristo,
Anderson Paz

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“Aborto não pode, mas matar adulto pode?!” – A pena de morte na Bíblia https://servolivre.com/2018/09/26/a-pena-de-morte-na-biblia-2/ https://servolivre.com/2018/09/26/a-pena-de-morte-na-biblia-2/#respond Wed, 26 Sep 2018 17:28:59 +0000 https://servolivre.com/?p=11653 Muitas vezes, aqueles que condenam o aborto são questionados por não se oporem com a mesma intensidade e veemência contra

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Muitas vezes, aqueles que condenam o aborto são questionados por não se oporem com a mesma intensidade e veemência contra discursos que defendem a  pena de morte, o excludente de ilicitude para policiais que abatem criminosos em combate, ou que defendem penas mais severas para criminosos.

Desde já esclareço que este texto não consiste em uma defesa da pena de morte. Aliás, nenhum presidente poderia instituí-la no Brasil, pois tal pena é proibida por cláusula pétrea em nossa Constituição. O que pretendemos com este texto é descobrir se a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, permite a aplicação da pena de morte por parte das autoridades. Lembrando que permissão não significa obrigação. Se constatarmos que a Bíblia permite a pena de morte, isso não significaria que as autoridades necessariamente seriam obrigadas a aplicá-la.

Não sei se você concorda comigo, mas penso que os apóstolos no Novo Testamento estavam mais capacitados do que nós para entender o que Jesus ensinou. Falo isso não só porque eles viveram num período histórico próximo de Jesus, mas porque parte essencial de seus ministérios era ensinar tudo o que Jesus ordenou (Mateus 28:18-20). Por isso, em Atos 2:42 vemos que a igreja perseverava na doutrina dos apóstolos, que não era outra coisa senão a doutrina de Jesus.

Se você concorda comigo, gostaria de chamar atenção para o que Paulo escreveu:

“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens;
se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;
não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.
Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”
(Romanos 12:17-21).

Ao lermos essas palavras de Paulo, veremos que estão em total consonância com o que Jesus ensinou sobre amar os nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem, abençoar os que nos maldizem, dar a outra face, andar a outra milha etc.. Paulo nos ensina a não nos vingar a nós mesmo. Isso não significa que o mal causado a nós ficará impune, mas sim que a vingança pertence a Deus. Ou seja, não tomar vingança é expressão de confiança no Senhor.

Mas não podemos abandonar o texto por aí. Precisamos seguir a leitura para o capítulo seguinte. Afinal, a carta aos Romanos não foi escrita originalmente dividida em capítulos e versículos.

Portanto, logo após falar sobre a vingança pessoal, Paulo começa escrever sobre a função das autoridades. Um assunto está conectado ao outro.

Especificamente em Romanos 13:3,4, Paulo escreve:

“Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal
(Romanos 13:3,4).

Eu não sei se você percebeu a conexão que existe entre os dois textos. Em Romanos 12, Paulo ensina que não devemos vingar a nós mesmos, pois a vingança pertence ao Senhor. Entretanto, no capítulo seguinte, o apóstolo escreve que a autoridade é ministro (servo) de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

Ora, estaria Paulo em contradição? Em um momento ela afirma que a vingança é o Senhor, e depois afirma que a autoridade é ministro de Deus, vingador, para castigar quem faz o mal?

Não vejo contradição alguma entre esses textos, pois o que a Bíblia condena é a vingança pessoal, o retribuir o mal com mal, o ódio. Mas a mesma Bíblia autoriza as autoridades a punirem quem pratica o mal.

Precisamos fazer distinção entre o papel do cristão, enquanto indivíduo na sociedade, e o papel da autoridade. O cristão deve perdoar, dar outra face, andar outra milha etc. O cristão pode, por causa do perdão, deixar de levar uma demanda à juízo.

Entretanto, a autoridade, como ministro de Deus para promover a ordem e o bem comum, não pode fugir do papel de louvar quem faz o bem e punir quem faz o mal. Afinal, não vivemos em um mundo pleno amor, e as autoridades governam sobre justos e injustos. Se autoridades abrirem mão de seu papel, estaríamos entregues à barbárie, pois a violência não encontraria limite.

Nesse sentido, vale lembrar Eclesiastes 8:11:

“Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Eclesiastes 8:11).

Punir o mal é uma forma de evitar que o coração dos homens fique totalmente disposto à praticar o mal. O maior incentivo à criminalidade é a impunidade.

“O homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo” (Provérbios 19:19).

Uma vez que a autoridade está incumbida por Deus de punir o mal, que poderes ela tem para cumprir essa papel? Paulo responde essa pergunta dizendo que a autoridade traz a espada para cumprir essa função.

“… se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal” (Romanos 13:4) 

Portanto, a referência à “espada” em Romanos 13 diz respeito ao poder de, até mesmo de, tirar a vida. Isso fica especialmente claro quando vemos que o apóstolo concebia a possibilidade de que houvesse crimes dignos de morte.

“Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César” (Atos 25:11).

É importante destacar que Pedro repete, de forma resumida, o mesmo ensino de Paulo sobre o papel das autoridades. Ambos os apóstolos entendiam que a autoridade deve louvar quem faz o bem e punir quem faz o mal.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem” (I Pedro 2:13,14).

Será que os apóstolos Pedro e Paulo não entenderam bem o que Jesus ensinou sobre amor ao próximo? Creio que eles entenderam plenamente. Mas também entenderam o que Jesus ensinou sobre a função das autoridades. Jesus reconhecia que as autoridades tinham até mesmo poder para aplicarem a pena capital.

“Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:10,11).

Quando ordenou a Pedro que guardasse a sua espadada, Jesus declarou:

“Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mateus 26:52).

Se quem lança mão da espada à espada perecerá, quem carrega a espada para executar esse juízo? Como já vimos, Paulo responde essa pergunta em Romanos 13:4. Quem traz a espada é a autoridade.

Isso quer dizer que a autoridade é infalível? A autoridade estaria imune a erros e sem necessidade de ser controlada ou limitada? Claro que não! O fato da autoridade ser ministro de Deus significa que prestará contas a Ele e que deve exercer sua função dentro dos limites estabelecidos pelo Senhor.

Com isso não estou dizendo que sou favorável à pena de morte. Como já disse, esse tipo de pena é proibida no Brasil por cláusula pétrea em nossa Constituição. Entretanto, não posso dizer que a Bíblia condena a pena de morte. Você pode até ser contra a pena de morte por razões políticas ou sociais, mas não porque a Bíblia a proíbe. O que as Escrituras condenam é a vingança pessoal.

Quanto à pena capital, eu ainda destacaria que, quando o Senhor a instituiu em Gênesis 9:6, antes da Lei de Moisés, foi justamente em função do valor e da dignidade da vida humana. Como o homem foi criado à imagem de Deus, quem derramasse o sangue de um homem também teria o seu sangue derramado por outro homem.

“Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gênesis 9:6).

Justamente pelo fato da pena capital ter sido instituída devido ao valor da vida humana é que não pode se comparada ao aborto. A  pena capital diz respeito a um criminoso, enquanto o aborto é uma violência contra um inocente.

Em Cristo,
Anderson Paz

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Quanto mais do Espírito Santo, melhor é a vida! https://servolivre.com/2018/06/09/quanto-mais-espirito-santo-melhor-e-vida/ https://servolivre.com/2018/06/09/quanto-mais-espirito-santo-melhor-e-vida/#respond Sat, 09 Jun 2018 15:25:41 +0000 https://servolivre.com/?p=11595 A obra do Espírito é indispensável para a salvação, posto que “ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo”

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A obra do Espírito é indispensável para a salvação, posto que “ninguém pode dizer: Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo” (I Coríntios 12:3). Nós somos salvos “mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3:5). O Espírito sempre é descrito como algo que já nos foi dado (Romanos 5:5; I Coríntios 2:12) e que recebemos pela fé, e não pelas obras da lei (Gálatas 3:2). O Espírito Santo habita em nós (Romanos 8:11; I Coríntios 3:6; 6:19; II Timóteo 1:14 etc), de tal forma que “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).  Cristo nos resgatou da maldição da lei para que a bênção de Abração chegasse a nós, e assim recebêssemos pela fé o Espírito prometido (Gálatas 3:13,14).

Paulo relaciona a presença do Espírito Santo com a nossa condição de filhos de Deus: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gálatas 4:6); “recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai. O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Romanos 8:15,16)Os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus (Romanos 8:14), e Ele é quem nos faz conhecer aquilo que nos foi dado gratuitamente por Deus (I Coríntios 2:12). É por meio dEle que o amor de Deus é derramado em nossos corações (Romanos 5:5)

O Espírito Santo é descrito como selo, que nos marca como propriedade do Senhor, e também como penhor, que nos é dado para garantir nossa redenção e o recebimento da nossa herança como filhos de Deus (II Coríntios 1:22; 5:5, Efésios 1:13-14; 4:30). A palavra penhor (gr. arrhabon) se refere à parte de um valor pago antecipadamente como garantia do pagamento total. Portanto, o Espírito Santo garante nossa esperança futura, nossa herança em Cristo, inclusive a ressurreição do corpo, pois:

“Se habita em vós o Espírito daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos, esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal, por meio do seu Espírito, que em vós habita” (Romanos 8:11).

A obra do Espírito não se resume a habitar em nós, nos assegurar a condição de filhos de Deus e garantir nosso futuro. Seu trabalho não se restringe ao início da caminhada cristã. Ele está trabalhado na vida de cada um de nós para sermos transformados segundo a imagem de Jesus (II Coríntios 3:18). A presença do Espírito em nós gera um fruto (Gálatas 5:22 e 23). Somos exortamos a nos encher do Espírito (Efésios 5:18) e a andar nele, para não satisfazermos as concupiscência da carne (Gálatas 5:16). Não devemos entristecer o Espírito (Efésios 4:30) e nem apagá-lo (I Tessalonicenses 5:19). A experiência com o Espírito Santo deve ser viva, dinâmica e contínua.

O fato de sermos habitação do Espírito deve nos levar a viver de forma mais santa: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” (I Coríntios 6:19,20).

O Espírito Santo concede poder à pregação do Evangelho (I Coríntios 2:4; I Tessalonicenses 1:5). Além disso, Ele está trabalhando para a edificação da Igreja, distribuindo dons espirituais (I Coríntios 12). Uma vez que a Igreja é um projeto do Senhor, não podemos prescindir das ferramentas que o Espírito nos dá para a edificação do corpo de Cristo.

As demais epístolas do Novo Testamento reforçam que o Espírito é dado aos que creem em Jesus. Pedro diz que aqueles que são injuriados pelo nome de Cristo são bem-aventurados, pois sobre eles repousa o Espírito da glória e de Deus (I Pedro 4:14). E João, por sua vez, nos diz que o fato de termos o Espírito é o que nos faz conhecer que permanecemos em Deus e Ele em nós:

“E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus, nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu” (I João 3:24).

“Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito” (I João 4:13).

Por tudo isso, precisamos cada dia mais da presença do Espírito Santo em nossas vidas.


Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”, de Anderson Paz

Disponível em formato digital:
– Na Amazon (clique aqui).
– Na Apple (clique aqui).

 

 

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João Batista era a reencarnação de Elias? https://servolivre.com/2018/04/27/joao-batista-era-reencarnacao-de-elias/ https://servolivre.com/2018/04/27/joao-batista-era-reencarnacao-de-elias/#respond Fri, 27 Apr 2018 13:33:36 +0000 https://servolivre.com/?p=11530 Algumas pessoas questionam se João Batista era a reencarnação de Elias. Essa pergunta surge em função de uma declaração feita

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Algumas pessoas questionam se João Batista era a reencarnação de Elias. Essa pergunta surge em função de uma declaração feita por Jesus acerca de João Batista:

“E, se o quereis reconhecer, ele mesmo é Elias, que estava para vir” (Mateus 11:14).

O próprio João Batista foi confundido por alguns judeus com Elias. No entanto, quando arguido, o próprio profeta respondeu sobre isso. Vejamos:

“Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntarem: Quem és tu? Ele confessou e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo. Então, lhe perguntaram: Quem és, pois? És tu Elias? Ele disse: Não sou. És tu o profeta? Respondeu: Não. Disseram-lhe, pois: Declara-nos quem és, para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes a respeito de ti mesmo? Então, ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (João 1:19-23).

Quando perguntado se era uma o próprio Elias, João disse que não era.

João não mentiu. Tampouco estava louco.  Se João afirmou que não era Elias, por que Jesus declarou que ele era?

Precisamos lembrar que Jesus estava se referindo a uma profecia de Malaquias, o qual afirmou que antes do Dia do Senhor, Elias seria enviado.

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível Dia do SENHOR; ele converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Malaquias 4:5-6).

Esta profecia era bem conhecida do povo judeu. Por isso também, alegavam que Jesus não poderia ser o Cristo, porque Elias não havia sido enviado. Sobre isso, Jesus revela que este ministério profético (de Elias), virá (futuro), mas que também ele já veio (passado).

“Mas os discípulos o interrogaram: Por que dizem, pois, os escribas ser necessário que Elias venha primeiro? Então, Jesus respondeu: De fato, Elias virá e restaurará todas as coisas. Eu, porém, vos declaro que Elias já veio, e não o reconheceram; antes, fizeram com ele tudo quanto quiseram. Assim também o Filho do Homem há de padecer nas mãos deles. Então, os discípulos entenderam que lhes falara a respeito de João Batista” (Mateus 17:10-13) .

Os discípulos de Jesus não confundiram Elias com João Batista, mas entenderam que a profecia se referia a respeito de João.

Um texto esclarecedor sobre esse tema é Lucas 1:17. Ali vemos que, quando o anjo anunciou a Zacarias o nascimento do seu filho João, deixou claro que ele viria na unção de Elias.

“E irá adiante do Senhor no espírito e poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos, converter os desobedientes à prudência dos justos e habilitar para o Senhor um povo preparado” (Lucas 1:17).

Esta revelação deixa claro que João e Elias são duas pessoas distintas e que João era considerado o Elias do seu tempo porque veio no espírito e poder de Elias, ou seja, na mesma essência e unção para realizar o seu ministério.

A expressão “no espírito e poder de Elias” não significa que João Batista era a reencarnação de Elias. Quem conhece a Bíblia e a linguagem que ela usa, certamente lembrará que, antes de Elias se arrebatado, seu discípulo Eliseu pedi para receber porção dobrada do espírito de Elias (II Reis 2:9). E depois do arrebatamento, é dito que: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu” (II Reis 2:15). E  sabemos que Eliseu não era uma reencarnação de Elias, mas  sim  que recebeu a unção que estava sobre o profeta.

Precisamos também considerar que, se Jesus estivesse falando de reencarnação,  então João Batista seria um espírito evoluído de Elias. Logo, não teria como se explicar um outro texto usado pelos que acreditam na reencarnação: A presença de Elias na transfiguração de Jesus. Vou usar o Evangelho de Lucas, pois ele, apesar de ser um médico, relatou a história de de Jesus e da igreja (Atos dos apóstolos) numa exposição em ordem no documento enviado para o seu amigo Teófilo.

“Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem, para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lucas 1:1-4)

Trata-se de uma narração coordenada dos fatos. Uma exposição em ordem. Sendo assim, vejamos:

“Ora, o tetrarca Herodes soube de tudo o que se passava e ficou perplexo, porque alguns diziam: João ressuscitou dentre os mortos; outros: Elias apareceu; e outros: Ressurgiu um dos antigos profetas. Herodes, porém, disse: Eu mandei decapitar a João; quem é, pois, este a respeito do qual tenho ouvido tais coisas? E se esforçava por vê-lo” (Lucas 9:7-9).

Ou seja, na transfiguração de Jesus, João já havia sido assassinado por Herodes. Por que então aparece Elias e não João

“Cerca de oito dias depois de proferidas estas palavras, tomando consigo a Pedro, João e Tiago, subiu ao monte com o propósito de orar. E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de brancura. Eis que dois varões falavam com ele: Moisés e Elias, os quais apareceram em glória e falavam da sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém” (Lucas 9:28-31).

Por fim, a Escritura afirma que Elias foi arrebatado, assim como Enoque. Logo, ele não morreu e, por consequência, não desencarnou. Portanto, como ele poderia reencarnar?

Sendo assim, Elias é uma pessoa e João Batista é outra. Do contrário, sendo João uma evolução espiritual de Elias, quem deveria aparecer no monte da transfiguração seria ele e não Elias.

Em Cristo,
Sérgio Franco

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O pecado não existe mais? https://servolivre.com/2017/02/08/o-pecado-nao-existe-mais/ https://servolivre.com/2017/02/08/o-pecado-nao-existe-mais/#respond Wed, 08 Feb 2017 11:50:18 +0000 https://servolivre.com/?p=11375 O fato de não estarmos mais debaixo da Lei, mas sim debaixo da graça, significa que nossa conduta não pode

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O fato de não estarmos mais debaixo da Lei, mas sim debaixo da graça, significa que nossa conduta não pode mais ser enquadrada como pecado? Será que o pecado não existe mais? Vejamos o que a Bíblia tem a dizer sobre o assunto.

Neste vídeo, Anderson Paz aborda o impacto da afirmação “o pecado não existe” sobre vários textos do Novo Testamento.

Textos mencionados:

– Romanos 6:12,13
– I Coríntios 6:18
– I Coríntios 7:1-5, 28
– I Timóteo 5:19,20
– Hebreus 3:12,13; 10:26-30; 12:1; 12:4
– Tiago 4:17; 5:14-16
– I João 1:8-10; 2:1; 5:16.

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Se temos o Espírito, pra quê a Bíblia? https://servolivre.com/2017/01/25/se-temos-o-espirito-pra-que-biblia/ https://servolivre.com/2017/01/25/se-temos-o-espirito-pra-que-biblia/#respond Wed, 25 Jan 2017 11:50:59 +0000 https://servolivre.com/?p=11346 O tema abordado neste vídeo pode despertar sinceras dúvidas em algumas pessoas: Se temos o Espírito Santo vivendo em nós,

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O tema abordado neste vídeo pode despertar sinceras dúvidas em algumas pessoas: Se temos o Espírito Santo vivendo em nós, pra quê a Bíblia?

Deus vive em nós através do Seu Espírito. Porém, apesar de termos essa presença viva dentro de nós, ainda precisamos recorrer à Bíblia para pautar nossa fé e nossa conduta. Neste vídeo, Anderson Paz explica a razão pela qual ainda necessitamos das Escrituras.

Neste vídeo, Anderson Paz aborda um tema sobre o qual algumas pessoas podem ter sinceras dúvidas: Se temos o Espírito Santo vivendo em nós, pra quê a Bíblia?

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Jesus e a Lei https://servolivre.com/2017/01/04/jesus-e-a-lei/ https://servolivre.com/2017/01/04/jesus-e-a-lei/#respond Wed, 04 Jan 2017 11:47:15 +0000 https://servolivre.com/?p=11267 O Senhor fez uma aliança com Israel ao libertá-lo do Egito. Como parte dessa aliança, Ele deu, através de Moisés,

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O Senhor fez uma aliança com Israel ao libertá-lo do Egito. Como parte dessa aliança, Ele deu, através de Moisés, a Lei, que era um conjunto de mandamentos que mostrava Sua vontade e as exigências de Sua justiça. Aquele que não cumpria a Lei estava sob maldição (Gálatas 3:10).

Apesar de boa, a Lei era insuficiente para libertar o homem do pecado. Ela não pôde governar a carne, pois a carne estava sujeita a outro senhor chamado pecado. Por isso tornou-se fraca (enferma) e impotente ante a carne. Ninguém pode ser justificado mediante a observância da Lei.  Ele é como o prumo do pedreiro, que mostra se a parede está direita ou torta, mas, no caso de estar torta, não a pode endireitar (Romanos 3:20).

A Lei não não era uma revelação completa da vontade de Deus. O próprio Moisés afirmou isso ao dizer que Deus levantaria um outro profeta a quem o povo deveria seguir (Deuteronômio 18:15-19). O Senhor também disse que faria com seu povo uma Nova Aliança, diferente da que havia sido feita (Jeremias 31:31,32).

As promessas de Deus se cumpriram. O grande profeta, de quem Moisés havia falado, já chegou: Ele é o Senhor Jesus (Atos 3:22-26). Ele é, ao mesmo tempo, o mensageiro e a própria mensagem. Ele é o Verbo (João 1:1,2), a revelação plena de Deus:

“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hebreus 1:1,2).

No monte da transfiguração, enquanto Moisés e Elias apareceram com Jesus, o Pai declarou desde os céus que Seu Filho deve ser ouvido:

“Este é o meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi” (Mateus 17:5).

Em Jesus foi feita a Nova Aliança que havia sido profetizada por Jeremias:

“Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança instituída com base em superiores promessas” (Hebreus 8:6).

A Nova Aliança é superior à Antiga, em todos os seus aspectos, tanto em suas exigências quanto em seus benefícios.

As exigências da Nova Aliança

Jesus não veio para revogar a Lei, mas para cumpri-la. E de fato, Jesus a cumpriu cabalmente em sua própria vida, oferecendo-se a Deus como sacrifício perfeito pelos nossos pecados. Tendo sido a Lei cumprida em Jesus, por meio dEle já não estamos mais debaixo da Lei, mas sim debaixo da graça.

Mas isso significa que Jesus “afrouxou” as exigências da Lei no que diz respeito aos seus aspectos morais? Será que agora podemos pecar pois estamos debaixo da graça? De modo algum. Sobre isso Paulo escreveu:

“Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça. Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. E daí? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum! Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte ou da obediência para a justiça? Mas graças a Deus porque, outrora, escravos do pecado, contudo, viestes a obedecer de coração à forma de doutrina a que fostes entregues; e, uma vez libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça” (Romanos 6:12-18).

A doutrina apostólica orienta aqueles que foram livres da do pecado a viverem em santidade porque foram incluídos na morte de Jesus. Logo, mortos para o pecado, senhor da carne, são instruídos pelo apóstolo a praticarem aquilo que conduz à santidade, pois muitos pretextando graça vivem em pura desgraça.

fato de não estarmos mais debaixo da Lei não significa que o pecado não existe mais. Só na epístola aos Hebreus (um dos livros que mais destacam a superioridade da Nova Aliança), somos advertidos a nos desembaraçar do pecado, a lutarmos contra ele, a não nos deixarmos endurecer pelo engano que ele produz.  

“Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1).

“Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe” (Hebreus 12:4-6).

“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do Deus vivo; pelo contrário, exortai-vos mutuamente cada dia, durante o tempo que se chama Hoje, a fim de que nenhum de vós seja endurecido pelo engano do pecado (Hebreus 3:12,13).

“Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo” (Hebreus 10:26-30).

Infelizmente, muitas pessoas , em nome de uma “falsa graça”, estão ultrajando o próprio Espírito da graça.

Recentemente, em um post nas redes sociais, Sérgio Franco (um dos membros da nossa equipe) escreveu um comentário que reflete uma importante verdade: “Quando chamados pecado de doença, quando usamos eufemismos para identifica-los ou quando transferimos culpa ou negamos a sua existência em nome de uma falsa graça, longe estamos de nos arrepender, pois estas atitudes são provenientes de um coração soberbo.

O fato de sermos justificados pela fé, e não pela Lei, não faz com que o cristão viva sem nenhuma lei. Ainda que não estejamos mais sob a Lei de Moisés, estamos sob a Lei de Cristo.

“Para os que estão sem lei, tornei-me como sem lei (embora não esteja livre da lei de Deus, e sim sob a lei de cristo), a fim de ganhar os que não têm a Lei” (I Coríntios 9:21).

Em seu ensino, Jesus não afrouxou a justiça “exigida” pela Lei de Moisés. Seus mandamentos exigem muito mais. Por exemplo: a Lei condenava o adultério, mas Jesus condena o olhar com intenção impura. A Lei condenava o homicídio, mas Jesus reprova o coração irado. Quando Jesus dizia “Eu, porém, vos digo…” não estava anulando o mandamento, mas estava mostrando com mais clareza a razão pela qual Deus o estabelecera.

O próprio Senhor Jesus espera que os seus discípulos sejam mais excelentes na prática da justiça do que qualquer judeu zeloso da Lei (Mateus 5:20):

Porém, se as exigências da Nova Aliança são superiores às da Antiga Aliança, quão maiores são os benefícios!

Os benefícios da Nova Aliança

A Lei exigia o sacrifício de animais como meio pelo qual o homem alcançava a remissão de pecados. Porém, na Nova Aliança, o preço pela nossa remissão foi pago pelo sacrifício do Filho de Deus (Hebreus 9:13,14). Esse sacrifício é suficiente para nos dar remissão completa dos pecados.

“Portanto, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergidos sobre os contaminados, os santificam, quanto à purificação da carne, muito mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas, para servirmos ao Deus vivo!” (Hebreus 9:13,14)

“Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés. Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados” (Hebreus 10:12-14).

O texto de Jeremias 31:33 nos diz em que consiste a Nova Aliança:

“Porque está é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.

Enquanto a Lei apenas nos mostrava o pecado, mas não os libertava dele, em Cristo nós recebemos o poder para vencê-lo. O Senhor escreve dentro de nós os seus mandamentos, e faz isso através do Espírito Santo. Na Nova Aliança recebemos a dádiva do Espírito, e, por meio dele, cumprimos os mandamentos do Senhor.

“Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ezequiel 36:26,27).

“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:3,4).

Sem o Espírito Santo é impossível viver em obediências a Jesus. Seria como puxar vagões de um trem sem a locomotiva.

Portanto, como filhos de Deus, vivendo pela graça, temos total condições de termos uma vida vitoriosa contra o pecado, expressando a Santidade do nosso Pai.

Em Cristo,
Anderson Paz

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