Conexão, Author at Servo Livre https://servolivre.com/author/admin/ Nosso propósito é edificar o Corpo de Cristo Sun, 12 Apr 2020 00:27:39 +0000 pt-BR hourly 1 https://servolivre.com/wp-content/uploads/2024/10/cropped-servolivre-favicon-32x32.png Conexão, Author at Servo Livre https://servolivre.com/author/admin/ 32 32 Em tempos de crise, não se esqueça da generosidade https://servolivre.com/2020/04/10/nao-se-esqueca-da-generosidade/ https://servolivre.com/2020/04/10/nao-se-esqueca-da-generosidade/#respond Fri, 10 Apr 2020 12:55:01 +0000 https://servolivre.com/?p=9418 Generosidade na crise? Texto publicado em junho de 2016. A crise econômica é assunto de todos os dias, não só

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Generosidade na crise?

Texto publicado em junho de 2016.

A crise econômica é assunto de todos os dias, não só nos jornais, mas principalmente nas nossas conversas cotidianas. É comum nos assustarmos com o aumento de preços de alguns produtos. Em nossos círculos de relacionamento tem crescido o número de pessoas desempregadas. E, além disso, tanto na TV como nas redes sociais, sempre se espalham dicas e recomendações de especialistas sobre como passar por este momento de crise, até que a economia se recupere.

Recentemente, li em alguma rede social um post que dizia: “Em tempos de crise, não se esqueça de economizar”. É verdade que temos que ser prudentes quanto a administração dos recursos que Deus tem nos dado, mas essa frase me fez lembrar de uma clara orientação bíblica, tão importante e indispensável quanto a prudência: “Em tempos de crise, não se esqueça da generosidade”. Na verdade, não podemos nos esquecer da generosidade em tempo algum. Porém, em momentos de crise, somos fortemente tentados a ignorá-la.

Em tempos de crise, precisamos lembrar da viúva  de Sarepta, que ao decidir obedecer a Deus, dividiu o que tinha com o profeta Elias, e viu o milagre  acontecer: “A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará, até ao dia em que o SENHOR fizer chover sobre a terra” (I Rs 7:14).

Em tempos de crise, precisamos lembrar de outra mulher, que conhecemos como viúva pobre, que apesar da sua pobreza, foi rica em generosidade e alcançou reconhecimento do próprio Senhor Jesus: “Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento” (Lucas 21:4).

Em tempos de crise, precisamos lembrar dos cristãos macedônios, que insistiram em poder socorrer os cristãos necessitados da Judeia: “Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia; Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência aos santos” (II Coríntios 8:1-4).

Enfim, em tempos como esses em que vivemos, e ainda se as coisas piorarem, não podemos ceder à tentação da avareza, e deixarmos de repartir, pois  Senhor Jesus, que sempre é fiel em Suas palavras, nos assegurou: “dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida com que tiverdes medido vos medirão também” (Lucas 6:38).

No amor do Senhor Jesus,
Anderson Paz

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Poligamia na Bíblia e o casamento hoje https://servolivre.com/2019/02/25/a-poligamia-na-biblia/ https://servolivre.com/2019/02/25/a-poligamia-na-biblia/#respond Mon, 25 Feb 2019 13:15:23 +0000 https://servolivre.com/?p=11831 O fato de encontrarmos a poligamia na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, desperta uma série de dúvidas: como os homens

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O fato de encontrarmos a poligamia na Bíblia, especialmente no Antigo Testamento, desperta uma série de dúvidas: como os homens podiam ser polígamos e não serem condenados por adultério? A poligamia continua ser permitida no Novo Testamento ou foi proibida por Jesus?

Para trazer esclarecimentos sobre esse tema, reproduzimos abaixo alguns trechos do livro “Casamento, imoralidade sexual e divórcio”.

Poligamia e adultério no Antigo Testamento

Para entendermos qualquer coisa sobre a poligamia na Bíblia, precisamos compreender a condição da mulher no contexto cultural em que foi redigido o Antigo Testamento. Devemos lembrar que as relações sociais eram regidas por um código familiar definido por três pares de relacionamentos: marido e mulher, pai e filho, senhor e escravo. Ninguém ficava fora disso, pois a sociedade era extremamente patriarcal e somente uma pessoa tinha a autoridade absoluta: o pai, o marido e o senhor. Assim, naquela época, o marido seria literalmente o dono de sua esposa. 

É nesse contexto de domínio do homem sobre a mulher que surge a poligamia. A condição da mulher naquela época não condizia com o retrato do casamento descrito no Gênesis, onde vemos tanto o homem quanto a mulher sendo criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26,27), uma única mulher feita para um único homem a fim de ser sua auxiliadora idônea. O padrão descrito na Criação é o da monogamia. Entretanto, o pecado distorceu essa realidade.

O primeiro homem de que se tem registro a tomar duas esposas foi Lameque, descendente de Caim (Gênesis 4:19). Parece não ter havido limite para o número de esposas que um homem poderia ter, exceto sua capacidade de mantê-las e seus filhos. De fato, apenas homens de riqueza, chefes ou reis tinham muitas esposas. No  antigo  Oriente  Médio, a poligamia era uma forma de ostentar poder. 

Apesar da poligamia não corresponder ao desenho original do casamento, vemos essa situação sendo regulamentada pela lei, como em Êxodo 21:7-11, Levítico 18:18 e Deuteronômio 21:15-17. Essas regulamentações protegiam a mulher casada com um homem polígamo. Entretanto, não vemos na lei de Moisés qualquer tipo de estímulo ou incentivo ao homem para que tivesse mais de uma esposa. Apesar dos reis terem condições de sustentar muitas mulheres, receberam uma advertência para que não multiplicassem esposas para si (Deuteronômio 17:15-17). 

Sabemos essa advertência não foi observada. A poligamia foi um costume muito comum entre os reis de Israel e de Judá (II Samuel 5:13; I Reis 11:3; II Crônicas 11:21; II Crônicas 21:14; I Reis 20:3; II Crônicas 24:3 etc.).

Aqui surge uma pergunta: A lei dizia “não adulterarás”, mas, se o homem podia ter várias esposas, quando é que ele adulterava? Ele estava isento de cumprir esse mandamento? Certamente não estava isento. Porém, o adultério era definido a partir da situação da mulher envolvida: se era casada ou solteira.

No Antigo Testamento, o adultério é descrito como possuir uma mulher já casada: a mulher do próximo. Portanto, o adultério de um homem era sempre um pecado contra o próximo, e não contra sua própria esposa. Já o adultério de uma mulher era um pecado contra o seu próprio marido. Por isso, se um homem casado tivesse relações sexuais com uma mulher solteira, com escravas, com concubinas ou se até mesmo tivesse outras esposas, ainda assim não seria tido por adúltero, pois tais mulheres não pertenciam a outro homem, e os filhos nascidos dessas relações eram considerados legítimos. Entretanto, uma mulher seria adúltera se tivesse relações com qualquer outro homem que não fosse seu marido, e os filhos dessa relação seriam bastardos (mamzerim).

“Nem te deitarás com a mulher de teu próximo, para te contaminares com ela” (Levítico 18:20).

“O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera” (Levítico 20:10).

“Se um homem for encontrado deitado com mulher que tenha marido, morrerão ambos, o homem que se tiver deitado com a mulher, e a mulher. Assim exterminarás o mal de Israel” (Deuteronômio 22:22). 

“Assim será com o que se chegar à mulher do seu próximo; não ficará sem castigo todo aquele que a tocar” (Provérbios 6:29).

O adultério era determinado pelo fato da mulher envolvida estar sob o domínio de um marido. Tal concepção aparece claramente na história de Davi. Seu pecado de adultério foi devido ao fato de Bate-Seba ser esposa de Urias. Se ela fosse uma mulher solteira, Davi poderia casar com ela e assim teria mais uma esposa (II Samuel 12:1-15). 

Abraão se deitou com uma escrava e não foi tido por adúltero (Gênesis 16:1-4). Jacó teve duas esposas e duas concubinas e ainda assim não foi tido por adúltero (Gênesis 29:20-30; 30:1-9). Salomão teve setecentas esposas e trezentas concubinas, e não foi considerado adúltero (I Reis 11:3). Gideão, por ter muitas mulheres, teve setenta filhos, mas não foi considerado adúltero (Júizes 8:30,31). Elcana tinha duas esposas, e não foi adúltero (I Samuel 1:1,2). Em I Crônicas 7:4 nos é dito que os homens da tribo de Issacar tinham muitas mulheres e filhos. E sabemos que Davi adulterou não por ter muitas esposas e concubinas (II Samuel 5:13), mas por ter possuído a mulher de outro homem (II Samuel 12:7-10). Na compreensão da época, o casamento estabelecia um compromisso de exclusividade da mulher para com o seu marido, e não necessariamente o contrário. A mulher era limitada a ter um único marido, mas o homem não era limitado a ter uma única esposa.

A restauração do padrão monogâmico no Novo Testamento

Para compreendermos o ensino de Jesus sobre a poligamia, precisamos nos voltar ao que Ele disse sobre casamento e divórcio, pois ali veremos que o casamento vincula o homem à sua esposa, tanto quanto vincula a esposa ao seu marido, gerando o dever de exclusividade para ambos.

Vejamos o relato de Mateus 19:3-12: 

“Vieram a ele alguns fariseus e o experimentavam, perguntando: É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo? Então, respondeu ele: Não tendes lido que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e que disse: Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua mulher, tornando-se os dois uma só carne? De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. Replicaram-lhe: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar? Respondeu-lhes Jesus: Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio. Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar. Jesus, porém, lhes respondeu: Nem todos são aptos para receber este conceito, mas apenas aqueles a quem é dado. Porque há eunucos de nascença; há outros a quem os homens fizeram tais; e há outros que a si mesmos se fizeram eunucos, por causa do reino dos céus. Quem é apto para o admitir admita”.

O texto de Mateus 19 por vezes é lido com lentes contemporâneas e por isso não é bem compreendido. Alguns leem a pergunta dos fariseus como se eles dissessem: “É lícito se divorciar por qualquer motivo?” Entretanto, a pergunta foi outra: “É lícito ao marido repudiar a sua mulher por qualquer motivo?”. Precisamos lembrar que apenas os homens podiam repudiar suas esposas, não sendo permitido à uma mulher repudiar o seu marido.

Outra coisa que precisamos enxergar é que a pergunta foi sobre os motivos do repúdio e não sobre o novo casamento do homem, pois isso até então não estava em questão. Diferentemente da nossa sociedade atual, onde existe uma proibição legal da bigamia e que se um homem já casado quiser casar com outra mulher deverá se divorciar da primeira, naqueles dias o novo casamento de um homem não estava condicionado ao desfazimento da primeira união.

Muitos homens, ao desejarem casar com outra mulher, se divorciavam de suas esposas por não terem condições financeiras de manter duas mulheres, mas não havia um impedimento legal para que tivesse as duas.

Embora a prática da poligamia tenha diminuído no período após o exílio, ela ainda não havia sido erradicada entre os judeus. Portanto, o debate rabínico sobre os motivos do repúdio não colocava em questão a liberdade do homem de casar-se com outra mulher. Se o repúdio fosse ilícito, a mulher repudiada não poderia casar com outro homem, pois seria acusada de adultério. Mas o homem que a repudiou poderia casar com outra mulher livremente.

Jesus, ao responder à primeira pergunta dos fariseus, não entra no debate sobre o motivo do repúdio e tampouco cita a lei. Começa sua resposta  dizendo: “não tendes lido…”, e assim confirma a autoridade das Escrituras. Ele não recorre a Deuteronômio 24, mas ao livro de Gênesis, ao princípio, a algo anterior e superior à lei, que mostrava o propósito do casamento. 

O plano de Deus para o casamento é o de uma união entre um homem e uma mulher por toda a vida. Em sua resposta, Jesus volta ao Éden e mostra-lhes o padrão de Deus: “o que Deus ajuntou não o separe o homem”. A vontade clara e inquestionável do Senhor é que o homem tenha apenas uma esposa, que a esposa tenha apenas um marido e que o casal viva junto até o final de suas vidas. 

No entanto, aqueles fariseus não se contentaram com a resposta de Jesus. É exatamente neste momento que eles tentam colocá-lo em contradição com Moisés, fazendo uma segunda pergunta: Por que mandou, então, Moisés dar carta de divórcio e repudiar?

Percebe-se que os fariseus não estavam perguntando sobre um repúdio qualquer, um mero abandono ou simples separação. Eles questionaram Jesus sobre o repúdio segundo a regulamentação de Deuteronômio 24:1-4, com a emissão da carta de divórcio.

Jesus afirma que a regulamentação de Moisés em Deuteronômio 24:1-4 não correspondia ao plano de Deus para o casamento, entretanto, tal prática foi permitida em função da dureza do coração dos homens. Se não fosse essa dureza, simplesmente Moisés não teria dado essa concessão.

É importante observar que Jesus não estava censurando Moisés e nem mesmo a lei, mas os destinatários da mesma. O que Moisés regulamentou foi em função dos corações endurecidos.

Portanto, Jesus mostra que a lei não alcançava o padrão estabelecido por Deus na criação, de um casamento monogâmico e indissolúvel. Nesse tema, a lei tinha claramente um caráter transitório. A resposta de Jesus nos faz lembrar o que Paulo escreve em Romanos 8:3 e 4, dizendo que havia coisas impossíveis à lei, visto que estava enferma pela carne.

Nesse diálogo com os fariseus, Jesus expõe seu ensino sobre casamento, repúdio e novo casamento, com impacto direto sobre a poligamia:

“Eu, porém, vos digo: quem repudiar sua mulher, não sendo por causa de relações sexuais ilícitas, e casar com outra comete adultério e o que casar com a repudiada comete adultério” (Mateus 19:9).

Enquanto os fariseus perguntaram sobre os motivos para o homem repudiar sua mulher, Jesus foi muito além, mostrando o padrão de Deus para o matrimônio, e tocou no tema do segundo casamento. Ele fala sobre o homem que contrai novas núpcias depois de repudiar sua mulher e declara que esse homem está em adultério, excetuando quem repudiou por causa de porneia. Isso foi algo chocante.

Como já dissemos, o debate entre escolas rabínicas colocava em questão a licitude do motivo do repúdio, o que afetaria a liberdade da mulher para casar de novo. Porém, a ilicitude do repúdio não afetava a questão do novo casamento do homem, até mesmo porque, perante a lei, o homem poderia possuir mais de uma esposa. Entretanto o ensino de Jesus toca na liberdade e na responsabilidade do homem, e diz que o casamento vincula o homem à sua mulher, tanto quanto vincula a mulher ao seu marido. Isso surpreendeu até mesmo os discípulos de Jesus, que disseram: 

“Se essa é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar” (Mateus 19:10). 

Os discípulos, acostumados com a posição de domínio do homem, se assustaram com o que Jesus disse. A surpresa deles foi quanto à condição do homem relativamente à sua mulher, e não quanto à condição da mulher em relação ao homem. 

Portanto, segundo Jesus, o adultério não é configurado apenas quando o homem toca na “propriedade” do próximo, mas também é um pecado cometido diretamente contra a própria esposa. Isso é claramente mencionado em Marcos 10:11:

“E ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela”.

Quando um homem casado se relaciona sexualmente com outra mulher, seja essa casada ou solteira, ele adultera contra sua própria esposa.  A fala de Jesus não se enquadrava em nenhuma das correntes que discutiam os motivos para o repúdio, pois equiparou a situação entre homens e mulheres no que diz respeito à fidelidade conjugal. 

Jesus mudou totalmente a condição da mulher e também do marido. O homem casado adultera quando se relaciona sexualmente com qualquer mulher que não seja sua esposa. Mais tarde Paulo chega a dizer que o homem não tinha poder sobre seu próprio corpo, e sim a mulher. 

“O marido conceda à esposa o que lhe é devido, e também, semelhantemente, a esposa, ao seu marido. A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher” (I Coríntios 7:3,4).

Aliás, quando Paulo usa o casamento para falar sobre a relação entre Cristo e a Igreja, ele parte do pressuposto de que o casamento é monogâmico, pois Jesus não tem mais de uma noiva.

Deus trouxe de volta aquilo que Ele criou em Gênesis. No princípio era homem e mulher, ou seja, Ele criou uma única mulher para o homem. Nunca foi plano dEle que o homem tivesse muitas esposas. O desejo do Senhor sempre foi que cada marido tivesse sua própria esposa e vice-versa. Não há espaço para a poligamia entre o povo de Deus.

Casamento, imoralidade sexual e divórcio 2

Extraído e adaptado do livro “Casamento, imoralidade sexual e divórcio”
Formato Físico: Loja Servo Livre
Formato e-book: Amazon  e Apple Books.
Autores: Sérgio Franco e Anderson Paz
Editora Apê Criativo

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Falar em línguas é a evidência do batismo no Espírito? https://servolivre.com/2019/02/11/falar-em-linguas-batismo-no-espirito/ https://servolivre.com/2019/02/11/falar-em-linguas-batismo-no-espirito/#respond Mon, 11 Feb 2019 12:20:13 +0000 https://servolivre.com/?p=11838 O pentecostalismo sustenta a tese de que o falar em línguas é a evidência física inicial do batismo com o

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O pentecostalismo sustenta a tese de que o falar em línguas é a evidência física inicial do batismo com o Espírito. Sendo assim, a única forma de uma pessoa identificar se foi batizada com o Espírito é se essa experiência foi acompanhada pelo falar em línguas. 

A doutrina da evidência inicial fundamenta-se na tese de que Lucas, ao registrar em Atos certas ocorrências sobre o recebimento do Espírito, não estava apenas narrando fatos, mas por meio das narrativas estava ensinando a existência de um padrão para a experiência do batismo com o Espírito. E esse padrão seria marcado pela evidência do falar em línguas.

Há pelo menos três narrativas de Atos em que as línguas são claramente associadas ao batismo com o Espírito: o Pentecostes (Atos 2), a conversão de Cornélio e sua família (Atos 10 e 11) e a experiência dos crentes em Éfeso (Atos 19). 

O caso de Cornélio e sua família é particularmente representativo, pois ali nos é dito que Pedro identificou que o Espírito havia sido derramado pois os ouvia “falando em línguas e engrandecendo a Deus” (Atos 10:45,46). É possível que a expressão “engrandecendo a Deus” se refira ao conteúdo das línguas (como as línguas no Pentecostes falavam das grandezas de Deus – Atos 2:11) ou a algo que aconteceu paralelamente à manifestação das línguas. Contudo, Atos 11:15 não deixa dúvidas de que a atenção de Pedro foi despertada pelo fato de ter visto na casa de Cornélio a mesma experiência do Pentecostes:“Quando, porém, comecei a falar, caiu o Espírito Santo sobre eles, como também sobre nós, no princípio”.

Sobre o caso dos crentes em Éfeso, vemos que, ao receberem o Espírito Santo, eles “tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19:6). Como o texto não diz “enquanto uns falavam em línguas, outros profetizaram”, podemos supor que todos ali tiveram ambas as experiências.

O que há em comum no Pentecostes, na casa de Cornélio e em Éfeso é o batismo com o Espírito acompanhado pelo falar em línguas. Nas outras duas narrativas de Atos (Samaritanos e Paulo), não há registro da manifestação de línguas, mas é possível que tenha ocorrido. Em Samaria aconteceu algo muito perceptível aos que observavam, a ponto de Simão querer comprar o poder de impor as mãos para que as pessoas recebessem o Espírito. Já no caso de Paulo, embora nada é dito sobre qualquer manifestação, sabemos que em algum momento de sua jornada o apóstolo teve a experiência do falar em línguas (I Coríntios 14:18). Portanto, pode-se supor que essa experiência teria ocorrido quando foi cheio do Espírito em Atos 9:17,18.

Se contássemos exclusivamente com Atos, poderíamos inferir que as línguas seriam o sinal inevitável do batismo com o Espírito. Sendo o batismo com o Espírito uma experiência normativa para todo o cristão (Atos 2:38), então a evidência do falar em línguas também seria normativa para todos.

Entretanto, o fenômeno das línguas não é restrito ao livro de Atos, pois também aparece I Coríntios, onde Paulo o menciona entre os diversos dons (charismata) do Espírito, ainda que seja um dom marcado por particularidades. 

Em geral, os dons do Espírito são dados para a edificação da igreja. Entretanto, quem fala em línguas não fala aos homens, pois ninguém o entende,  mas a Deus, e em espírito fala mistérios (I Coríntios 14:2). Quando uma pessoa ora em línguas, o seu espírito ora de fato, mas a igreja só recebe edificação se as línguas forem interpretadas (I Coríntios 14:5,13-17).

Ao falar sobre as diversidade da obra do Espírito e as diferenças entre os membros do Corpo de Cristo, Paulo pergunta: “Falam todos em outras línguas?”. A resposta seguramente é não, da mesma forma que nem todos são apóstolos, ou profetas, ou mestres, ou operadores de milagres (I Coríntios 12:7-11, 27-30). Além disso, ao dizer “Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis” (I Coríntios 14:5), Paulo reconhece o valor das línguas, mas também assume que nem todos ali em Corinto tinham esse dom. Até mesmo porque, apesar de podermos buscar os dons (I Coríntios 12:31; 14:1), sua distribuição é feita pelo Espírito conforme lhe apraz (I Coríntios 12:11). Como Paulo escreve: “Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve” (I Coríntios 12:18).

Diante disso, como conciliar a tese de que as línguas são sempre a evidência do batismo no Espírito com o fato de que Paulo parece tratar com naturalidade que nem todos falem em línguas?

O pentecostalismo estabelece uma distinção entre as línguas como sinal do batismo no Espírito (línguas evidenciais) e as línguas como um dom espiritual (variedade de línguas). Embora nem todos falem em língua como um dom, todos os que são batizados com o Espírito manifestariam as línguas evidenciais, ainda que esse fenômeno venha a ocorrer uma única vez.

No entanto, a distinção entre línguas como sinal e línguas como um dom não é apresentada em nenhum lugar do Novo Testamento. Inclusive, no início do movimento pentecostal, essa distinção não foi aceita por todos. F. F. Bosworth (1877-1958) foi um dos mais conhecidos líderes pentecostais a rejeitar a doutrina da evidência física inicial. Tendo participado da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos em 1914, Bosworth começou a contestar a distinção entre as línguas de Atos e as línguas de I Coríntios, afirmando que ambos os livros tratam do dom de línguas, e que estas não seriam a única evidência do batismo com o Espírito. Tal posicionamento fez com que F. F. Bosworth se desligasse das Assembleias de Deus em 1918.

A questão sobre evidência inicial não envolve apenas uma discussão teológica, mas diz respeito a uma importante questão pastoral. Por muitas vezes o pentecostalismo é acusado de classificar os cristãos em duas categorias: os que falam em línguas e os que não falam, os quais seriam “cristão de segunda classe”. Considerando que muitos membros de igrejas pentecostais não falam em línguas, a doutrina da evidência inicial favoreceria um tipo de “elitismo espiritual”, pois os que falam em línguas são considerados como batizados com o Espírito, enquanto os que não falam em línguas (e que talvez nunca falem, se as línguas forem apenas um dom) seriam classificados como não-batizados com o Espírito, não importando quão intensas ou surpreendentes sejam suas experiências com o Espírito Santo. Enquanto não falarem em línguas, essas pessoas não serão consideradas batizadas com o Espírito.

Outra questão pastoral importante é fato de que certas pessoas, mesmo não falando em línguas, parecem contar com o poder para testemunhar concedido pelo batismo com o Espírito. Isso é observado pelo teólogo pentecostal Robert P. Menzies, que admite a possibilidade de que cristãos que não falam em línguas experimentem, em graus variados, o poder pentecostal. Entretanto, para Robert P. Menzies, a experiência completa do poder pentecostal inclui necessariamente o falar em línguas. 

Ao responder se é possível uma pessoa ser batizada com o Espírito sem falar em línguas, Menzies declara: “Talvez. Mas por que nos contentaríamos com menos do que a experiência apostólica completa?”. No entanto, tal comentário reflete a dificuldade da teologia pentecostal de provar cabalmente que o batismo com o Espírito sempre é evidenciado pelas línguas. Afinal, como um autor escreve uma obra para defender a doutrina pentecostal da evidência física inicial, mas no mesmo livro cogita a possibilidade de alguém ser batizado com o Espírito sem falar em línguas? Essa dificuldade se assenta no fato de que não há nenhum ensino claro no Novo Testamento que estabeleça de forma inquestionável a relação entre as línguas e o batismo com o Espírito.

Além disso, existem testemunhos de cristãos que alegam ter experimentado o batismo com o Espírito Santo sem falar em línguas, ou só falaram algum tempo depois.

Há ainda uma última questão pastoral apontada inclusive por autores pentecostais: o risco da evidência inicial se tornar mais importante do que o propósito do batismo com o Espírito. O revestimento de poder tem como propósito o testemunho, e não o falar em línguas, que seria apenas um sinal de que você foi revestido. 

A “super-valorização” do falar em línguas foi denunciada por William J. Seymour (1870-1922), pioneiro pentecostal e líder do conhecido Reavivamento da Rua Azusa, em Los Angeles. Para Seymour, quem colocava o foco em buscar as manifestações, em lugar de buscar o próprio Senhor, estaria propenso a falsificações. Ele mesmo abandonou a doutrina das línguas como evidência física inicial, dizendo que tal doutrina abria a porta para enganos e que deixava a Palavra de Deus para instituir um ensinamento humano. Seymour não negou a contemporaneidade ou o valor das línguas, mas não mais concebia esse fenômeno como único sinal que atestava a experiência do batismo com o Espírito Santo.

Apesar das críticas feitas à doutrina da evidência física inicial, é necessário que admitir que multidões, dentro e fora do pentecostalismo, tem recebido o batismo com o Espírito acompanhado pelo falar em línguas. Essa, inclusive foi a minha experiência, quando eu nem mesmo acreditava no batismo com o Espírito como experiência distinta da regeneração. Entretanto, como nosso critério para avaliarmos todas as coisas são as Escrituras, precisamos conferir se a doutrina da evidência física inicial encontra sustento sólido nelas.

Antes de chegarmos a uma resposta sobre a evidência inicial, proponho uma reflexão sobre os seguintes pontos:

  1. Pedro fundamenta a experiência do Pentecostes na profecia de Joel que afirma que todo o povo de Deus receberia capacitação profética (em diferentes aspectos: sonhos, visões e profecia). Já abordamos no segundo capítulo deste livro que as línguas de Atos 2 podem ser entendidas como um tipo de profecia, pois foi um discurso inspirado pelo Espírito e não eram línguas estranhas para quem as compreendia. Entretanto, considerando que Joel fala sobre diferentes aspectos da atividade profética, por que o cumprimento dessa promessa necessariamente seria evidenciado apenas e exclusivamente pelo falar em línguas?
  2. Jesus descreve o batismo com o Espírito como um revestimento de poder para testemunhar (Lucas 24:49; Atos 1:8). Tendo em vista o propósito do batismo com o Espírito, será que esse poder só é concedido por meio de uma experiência que necessariamente inclui o falar em línguas? Não haveriam outras experiências com o Espírito que cumpririam esse propósito de conferir poder para testemunhar?
  3. Há certos pontos das narrativas de Atos que devem ser observados: não há registro da manifestação que acompanhou a experiência dos samaritanos (Atos 8) e a de Paulo (Atos 9); na casa de Cornélio, as pessoas estavam “falando em línguas e engrandecendo a Deus” (Atos 10:46); e em Éfeso os discípulos “tanto falavam em línguas como profetizavam” (Atos 19:6). A falta de registro de manifestações em duas narrativas, e o acréscimo de detalhes em outras duas, não seriam indícios de que Lucas concebia outras evidências do batismo com o Espírito, além do falar em línguas?
  4. Ao tratar do dom de línguas, Paulo deixa claro que esse é um dom com muitas particularidades, posto que, sem interpretação, não cumpre o papel de edificar a igreja, mas edifica apenas aquele que exerce o dom. Estando o falar em línguas tão marcado por particularidades, se houvesse ainda uma outra manifestação mais específica desse fenômeno, como sinal do batismo com o Espírito, não faria sentido que Paulo desse alguma explicação sobre isso?
  5. Em I Coríntios 12:1-7, Paulo escreve sobre a diversidade dos dons, dos serviços e das realizações do Espírito. Considerando que a obra do Espírito é tão variada, poderíamos dizer taxativamente que existe uma única evidência para o recebimento do batismo com o Espírito Santo?
  6. Por fim, na história e na atualidade sabemos de muitos cristãos que derem testemunho do Evangelho com poder, mas não falaram em línguas. Houve grandes avivamentos nos quais não há registro da manifestação do falar em línguas. Além disso, muitos homens de Deus não tiveram essa experiência. Será que poderíamos dizer que essas pessoas não foram batizadas com o Espírito?

Não podemos fugir do fato de que Atos apresenta o fenômeno das línguas como algo que comumente acompanha do batismo com o Espírito. Não deveríamos nos surpreender pelo fato de que muitas pessoas, ao serem batizadas com o Espírito, manifestam o falar em línguas. Entretanto, considerando todos os pontos levantados acima, e lembrando que o batismo com o Espírito é uma capacitação para a missão, podemos concluir que outras experiências podem servir a esse propósito, como a profecia, as visões ou o irromper em louvores. Não há amparo bíblico suficiente para dizermos que as línguas são a única evidência de que uma pessoa foi batizada com o Espírito.

Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”.
Autor: Anderson Paz
Disponível em formato digital:

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Vasos de ira e vasos de misericórdia https://servolivre.com/2019/02/04/vasos-de-ira-e-vasos-de-misericordia-2/ https://servolivre.com/2019/02/04/vasos-de-ira-e-vasos-de-misericordia-2/#respond Mon, 04 Feb 2019 12:25:12 +0000 https://servolivre.com/?p=11791 A referência que Paulo faz aos vasos de ira e aos vasos de misericórdia tem sido objeto de inúmeras discussões.

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A referência que Paulo faz aos vasos de ira e aos vasos de misericórdia tem sido objeto de inúmeras discussões. Afinal, o que o apóstolo quis dizer em Romanos 9:20-23?

Uma leitura descuidada pode nos dar a impressão de que algumas pessoas são criadas por Deus para a perdição, de forma incondicional, sem que Ele considere qualquer atitude ou escolha dessas pessoas. Sob essa ótica, se alguém foi criado para ser um vaso de ira, não haveria nada a ser feito para mudar o seu destino pré-determinado. A figura do vaso, um objeto inanimado, desprovido de vontade, pode gerar a impressão de que o destino de cada pessoa é determinado de forma incondicional por Deus. Porém, isso é um equívoco.

Estou convencido de que o apóstolo não usou a figura dos vasos de ira para dizer que Deus criou pessoas com o fim de condená-las para a perdição. Na verdade, Deus decidiu usar sua misericórdia para com todos (Romanos 11:32).

Abaixo explicarei as razões para o meu posicionamento. Mas, antes de tudo, vejamos o texto em questão:

“Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? 
Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? 
Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição,
a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão”
(Romanos 9:20-23).

Seguem abaixo algumas considerações sobre a referência que Paulo faz aos vasos da ira e vasos de misericórdia. Ao fim, apresentarei minha conclusão.

1) A maior parte das Escrituras é de fácil compreensão. Se assim não o fosse, a Bíblia só seria entendida por grandes estudiosos. Contudo, até uma criança pode saber as sagradas letras: “desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus” (II Timóteo 3:15).

2) O fato de que a maior parte das Escrituras seja de fácil compreensão, não elimina a verdade de que há alguns textos mais complexos. Isso é reconhecido por Pedro que, ao fazer referência às cartas de Paulo, reconheceu que nelas havia certas coisas difíceis de entender, “… que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles” (II Pedro 3:15,16).

3) Não sabemos exatamente que textos de Paulo eram considerados “difíceis de entender” por Pedro, mas isso já é suficiente para não nos colocarmos diante certos textos, especialmente os que tratam de temas polêmicos, e darmos interpretações simplistas.

4) A fala de Paulo sobre os vasos de ira e os vasos de misericórdia é inserida em um contexto que trata de um tema sensível: a aliança da Deus com Israel. Toda a argumentação que o apóstolo começa a desenvolver em Romanos 9 e conclui em Romanos 11 é para mostrar que a justificação pela fé tanto de judeus quanto de gentios não implica infidelidade de Deus em relação a Israel. Portanto, o propósito principal de Paulo em Romanos 9 ao 11 não é falar sobre a salvação de indivíduos.

5) Ao buscarmos a fundamentação de qualquer doutrina, devemos dar atenção aos textos cujos contextos tratam explicitamente da referida doutrina. Versículos isolados que parecem tratar de um assunto não podem ser valorizados a ponto de ignorarmos textos escritos com a intenção clara de abordar o tema. Sendo assim, o capítulo 5 de Romanos se ocupa em tratar da extensão do pecado e do alcance da misericórdia de Deus. E nesse contexto, Paulo é muito claro. A  graça de Deus, que possibilita a justificação, se estende a todos homens:

“Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram. … Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida (Romanos 5:12,18).

6) Retornando para Romanos 9, vemos que o tema ali desenvolvido só é concluído em Romanos 11, onde o apóstolo afirma claramente: “Porque Deus a todos encerrou na desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos (Romanos 11:32). A extensão da misericórdia alcança todos os que foram encerrados debaixo da desobediência. Portanto, a referência aos vasos de ira não pode ser interpretada de modo que nos leve a uma conclusão diferente da que o apóstolo chegou. E a conclusão de Paulo é que Deus decidiu usar misericórdia para com todos.

7) Para falarmos sobre os vasos de ira precisamos ir aos textos que tratam da ira de Deus. Em Romanos 2, por exemplo, Paulo está escrevendo a um interlocutor hipotético, a um homem que pratica as mesmas coisas que condena. Paulo afirma que tal homem desprezava a paciência de Deus e ignorava que a bondade do Senhor o conduzia ao arrependimento. Por ter um coração duro e impenitente, essa pessoa estava acumulando ira de Deus contra si mesma. Sendo assim, sua condenação não se daria por falta da bondade ou de paciência da parte do Senhor, mas como resultado de suas atitudes.  A ira de Deus não recai de forma incondicional e arbitrária sobre uma pessoa, mas sim por causa de suas escolhas pecaminosas.

“Portanto, és indesculpável, ó homem, quando julgas, quem quer que sejas; porque, no que julgas a outro, a ti mesmo te condenas; pois praticas as próprias coisas que condenas. 
Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas.
Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus?
Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento?
Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, 
que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento:
a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade;
mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.
Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego;
glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego.
Porque para com Deus não há acepção de pessoas (Romanos 2:1-11).

Esse texto nos dá motivos suficiente para concluirmos que os vasos de ira não são preparados para a perdição de forma incondicional, sem que suas escolhas sejam consideradas. Ao desprezarem a bondade de Deus, se entregando à pratica do mal, os vasos de ira estão preparados para a perdição, posto que não podem fugir do juízo de Deus. Portanto, antes que Deus considere alguém um vaso de ira, Ele leva em conta as escolhas do homem. Pode ter algumas escolhas livres, mas não podemos determinar as consequências de nossas escolhas.

8) Romanos 1 é um dos capítulos em que Paulo mais se ocupa em escrever sobre a ira de Deus. No versículo 18, o apóstolo afirma que a ira de Deus se manifesta contra a injustiça dos homens. O que torna os homens indesculpáveis é o fato de que, tendo conhecimento de Deus (revelado na criação), não o glorificaram como Deus. Portanto, a ira de Deus não é incondicional, arbitrária ou fatalista.

A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça;
porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. 
Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis; porquanto, tendo conhecimento de Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato” (Romanos 1:18-21).

9) Ainda em Romanos 1, vemos o Senhor entregando os homens “à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração”(v. 24). Por terem adorado a criatura no lugar do Criador, “Deus os entregou às paixões infames” (v. 26). Foram entregues a uma “disposição mental reprovável”, por haverem desprezado o conhecimento de Deus (v. 28). Tais ações divinas não foram decretadas de forma incondicional, pois levaram antes em conta a atitude dos homens.

“Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos 
e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis.
Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;
pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!
Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;
semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.
E, por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Romanos 1:22-28)

10) Em II Timóteo 2:19-21, Paulo escreve sobre os vasos de honra e de desonra, e afirma que se uma pessoa se purificar de certos erros se tornará um vaso de honra. Assim sendo, o estado de vaso de honra ou de desonra não é determinado incondicionalmente por Deus. O mesmo podemos dizer sobre os vasos de ira e os de misericórdia.

“Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade.
Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra.
De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idóneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra (II Timóteo 2:19-21).

11) No Antigo Testamento, a ilustração do vaso nas mãos do oleiro não é usada para dizer que Deus cria os homens para a perdição ou salvação de forma incondicional. Muito pelo contrário, essa ilustração mostra que o trato do Senhor com o barro leva em conta as atitudes do “barro”, ou seja, do povo. O que essas passagens destacam é a inevitabilidade do trato de Deus, e não afirmam que Deus cria algumas pessoas para o bem e outras para o mal.

Assim como barro não pode resistir ao trato do oleiro, o homem não pode resistir ao juízo de Deus. Quando o povo escolhe o mal, por consequência receberá o devido o juízo. Contudo, quando há arrependimento, Deus pode afastar o juízo. Assim como o oleiro quebra o vaso e o faz de novo, assim o Senhor pode mudar o que havia declarado sobre o seu povo. Sendo assim, vasos de ira e vasos de misericórdia não são moldados sem que suas escolhas sejam consideradas.

“Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do SENHOR: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria. Ora, pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que estou forjando mal e formo um plano contra vós outros; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas ações“ (Jeremias 18:3-11).

12) Em Isaías 29:15 e 16, a ilustração do oleiro e do vaso é usada para denunciar a falta de temor daqueles que faziam o mal e pensavam que não prestariam contas a Deus. Em nenhum momento é dito que Deus cria pessoas para fazerem o mal e para a perdição.

“Ai dos que escondem profundamente o seu propósito do SENHOR, e as suas próprias obras fazem às escuras, e dizem: Quem nos vê? Quem nos conhece? Que perversidade a vossa! Como se o oleiro fosse igual ao barro, e a obra dissesse do seu artífice: Ele não me fez; e a coisa feita dissesse do seu oleiro: Ele nada sabe” (Isaías 29;15,16)

13) A forma como as Escrituras revelam o caráter de Deus nos impede de pensar que Ele prepara vasos de ira de forma incondicional, preparados arbitrariamente para a perdição. A verdade é que Deus não tem prazer na morte do ímpio, pois quer que este se converta a viva (Ezequiel 33:11).

Conclusão: À luz das considerações acima, podemos constatar que ninguém é criado para ser um vaso de ira incondicionalmente. Pelo contrário, é a resistência do homem à graça de Deus que o faz acumular ira contra si mesmo. O homem escolhe a rebelião contra Deus, mas não tem o poder de evitar as consequências dessas escolhas, pois não pode afastar o juízo. Entretanto, o Senhor é paciente e quer que todos cheguem ao arrependimento, ao pleno conhecimento da verdade (II Pedro 3:9). Vasos de ira podem se tornar vasos de misericórdia.

Em Cristo,
Anderson Paz


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Autor: Anderson Paz
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A soberania de Deus e a responsabilidade humana https://servolivre.com/2019/01/24/soberania-de-deus-livre-arbitrio/ https://servolivre.com/2019/01/24/soberania-de-deus-livre-arbitrio/#respond Thu, 24 Jan 2019 13:31:11 +0000 https://servolivre.com/?p=11693 1. Um equívoco acerca da Soberania de Deus Muitas pessoas pensam que a  soberania de Deus e a liberdade de

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1. Um equívoco acerca da Soberania de Deus

Muitas pessoas pensam que a  soberania de Deus e a liberdade de escolha humana se relacionam da seguinte forma: quanto maior a soberania divina, menor seria a possibilidade do homem fazer escolhas livres.

Sob essa ótica, para que Deus seja totalmente soberano, o homem não poderia ter escolhas livres, podendo apenas fazer as escolhas pré-determinadas pelo Senhor. O ser humano até poderia fazer escolhas segundo sua própria vontade, mas essa vontade teria que ser determinada por Deus. A menor possibilidade  de escolha livre do homem implicaria uma redução da soberania de Deus, a ponto de descaraterizá-lo como Soberano.

Assim, cada detalhe do universo, da história e da vivência humana seriam meticulosamente determinados pelo Senhor, sem que Ele levasse em conta quaisquer decisões dos homens, posto estas também seriam determinadas por Ele. Até mesmo os atos maus praticados pelos homens teriam quer ser decretados por Deus.

Entretanto, essa compreensão  não se encontra fundamentada nas Escrituras. Vemos na Bíblia que existe certa liberdade para o homem fazer algumas escolhas, sem que isso reduza a soberania de Deus em nem mesmo um milímetro.

2. A Soberania de Deus revelada nas Escrituras

Antes de falarmos qualquer coisa sobre a soberania de Deus, sobre seu caráter  ou sobre qualquer dos seus atributos, precisamos ir às Escrituras. Só podemos conhecer a Deus na exata medida do que Ele revelou de Si mesmo. Afinal, os juízos de Deus são insondáveis e seus caminhos são inescrutáveis (Romanos 11:33). O conhecimento de Deus é sobremodo elevado (Salmo 139:6), os seus caminhos e seus pensamentos são mais altos do que os nossos (Isaías 55:9). “Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número dos seus anos não se pode calcular” (Jó 36:26).

Isso não significa que não podemos conhecer nada acerca do Senhor, mas sim que só podemos conhecer nos exatos  termos em que Ele se revelou, sem nos entregar às especulações ou suposições. Se Deus escolheu revelar seus atributos de uma certa forma e sob certos limites, nós não podemos ultrapassar tais limites.  Precisamos ser estritamente fiéis a essa revelação, com todo temor e reverência.

“As coisas encobertas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei” (Deuteronômio 29:29).

De fato, Deus é soberano. Tudo o que existe está debaixo de seu domínio e poder, desde um pássaro que cai (Mateus 10:29,30) até o estabelecimento e queda dos reis e chefes das nações (Romanos 13:1-7). Ninguém pode impor coisa alguma a Ele.

“Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24:1).

“O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações” (Salmo 33:10,11).

“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado” (Jó 42:2).

“Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade: que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46:9,10).

“Disse Daniel: Seja bendito o nome de Deus, de eternidade a eternidade, porque dele é a sabedoria e o poder; é ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis; ele dá sabedoria aos sábios e entendimento aos inteligentes. Ele revela o profundo e o escondido; conhece o que está em trevas, e com ele mora a luz” (Daniel 2:20-22).

3. Exemplos bíblicos em que vemos o Senhor levando em conta as escolhas humanas

Certamente há muitas coisas que Deus determina sem considerar nenhuma decisão ou ato do homem. Isso é evidenciado pela nossa própria experiência. Há aspectos importantíssimos de nossas vidas sobre os quais não demos nenhuma opinião. Nenhum de nós, por exemplo, escolheu nascer, ou a família em que nasceu, a cidade, o país, as características físicas etc. Da mesma forma, não temos a liberdade para pular de um prédio de 20 andares, sem nenhum equipamento de proteção, e ainda assim continuar ileso, pois não determinamos as leis da Física.

Além disso, a Bíblia nos mostra intervenções divinas incidindo diretamente indivíduos e sobre a história, a fim de cumprir os propósitos do Senhor.

Entretanto, ao olharmos para a Bíblia, veremos diversos registros em que Deus responde ou reage às escolhas e atos humanos. Muitas vezes Deus fala de sua tristeza diante da desobediência e rebelião do homem. O Senhor responsabiliza os homens por suas próprias escolhas e traz juízo sobre a má obra (Romanos 1:18,32). E como Deus não pode mentir (Tito 1:2), precisamos realmente concordar que Ele leva em conta as escolhas humanas em muitas de suas determinações.

Se Deus afirmou que determinou algo em resposta a um ato humano, então realmente foi assim. Vejamos alguns exemplos bíblicos:

“Como as nações que o SENHOR destruiu de diante de vós, assim perecereis; porquanto não quisestes obedecer à voz do SENHOR, vosso Deus” (Deuteronômio 8:20).

“Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência (Deuteronômio 30: 17-19)

“Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito. Abre bem a boca, e ta encherei. Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos! Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários.” (Salmo 81:11-14).

“Embora o Senhor tivesse enviado profetas ao povo para trazê-los de volta para ele e os profetas tivessem testemunhado contra eles, o povo não quis ouvi-los (II Crônicas 24:19).

“Porque assim diz o SENHOR Deus, o Santo de Israel: Em vos converterdes e em sossegardes, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança, a vossa força, mas não o quisestes (Isaías 30:15).

“Por causa da indignidade da sua cobiça, eu me indignei e feri o povo; escondi a face e indignei-me, mas, rebelde, seguiu ele o caminho da sua escolha (Isaías 57:17).

“Mas a vós outros, os que vos apartais do SENHOR, os que vos esqueceis do meu santo monte, os que preparais mesa para a deusa Fortuna e misturais vinho para o deus Destino, também vos destinarei à espada, e todos vos encurvareis à matança; porquanto chamei, e não respondestes, falei, e não atendestes; mas fizestes o que é mau perante mim e escolhestes aquilo em que eu não tinha prazer (Isaías 65:11,12).

“… Como estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações, assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer (Isaías 66:3,4).

“Tornaram às maldades de seus primeiros pais, que recusaram ouvir as minhas palavras; andaram eles após outros deuses para os servir; a casa de Israel e a casa de Judá violaram a minha aliança, que eu fizera com seus pais” (Jeremias 11:10).

“Este povo maligno, que se recusa a ouvir as minhas palavras, que caminha segundo a dureza do seu coração e anda após outros deuses para os servir e adorar, será tal como este cinto, que para nada presta” (Jeremias 13:10).

“Mas rebelaram-se contra mim e não me quiseram ouvir; ninguém lançava de si as abominações de que se agradavam os seus olhos, nem abandonava os ídolos do Egito. Então, eu disse que derramaria sobre eles o meu furor, para cumprir a minha ira contra eles, no meio da terra do Egito” (Ezequiel 20:8).

Eles estabeleceram reis, mas não da minha parte; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos” (Oseias 8:4).

“Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se” (Oseias 11:5).

“Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!” (Mateus 23:37 cf. Lucas 13:34).

“mas os fariseus e os intérpretes da Lei rejeitaram, quanto a si mesmos, o desígnio de Deus, não tendo sido batizados por ele” (Lucas 7:30).

“Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (João 5:39,40).

Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por mim mesmo” (João 7:17).

“A quem nossos pais não quiseram obedecer; antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito…  Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis. “ (Atos 7:39,51).

“O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve, diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17).

Os textos acima relacionados são exemplos de como Deus responsabiliza o homem por suas escolhas. São abundantes as situações em que o próprio Senhor afirma estar respondendo ou reagindo à decisões ou atitudes do homem.

Muitas das afirmações bíblicas sobre a soberania de Deus destacam Seu poder para responder aos atos humanos, sem que ninguém possa impedi-lo.

Seguramente, a figura do oleiro formando o vaso é uma das ilustrações mais fortes para descrever a soberania de Deus sobre o homem. Afinal, o barro é matéria inanimada, passiva, desprovida de vontade, escolhas, querer ou ação. Está totalmente entregue às determinações  do oleiro, que faz com o barro o que bem lhe parece. Entretanto, até quando essa ilustração é usada na Bíblia, ela nos mostra Deus reagindo às escolhas humanas, seja ao arrependimento do homem, seja à dureza de seu coração. O homem, apesar de ser barro nas mãos do oleiro, não é retratado como um ser desprovido de escolhas livres. Mas é importante lembrar: cada escolha humana receberá a justa e inevitável resposta de Deus. Não há como fugir disso. Vejamos:

“Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do SENHOR: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz o SENHOR; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel. No momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino para o arrancar, derribar e destruir, se a tal nação se converter da maldade contra a qual eu falei, também eu me arrependerei do mal que pensava fazer-lhe. E, no momento em que eu falar acerca de uma nação ou de um reino, para o edificar e plantar, se ele fizer o que é mau perante mim e não der ouvidos à minha voz, então, me arrependerei do bem que houvera dito lhe faria.Ora, pois, fala agora aos homens de Judá e aos moradores de Jerusalém, dizendo: Assim diz o SENHOR: Eis que estou forjando mal e formo um plano contra vós outros; convertei-vos, pois, agora, cada um do seu mau proceder e emendai os vossos caminhos e as vossas ações (Jeremias 18:3-11).


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.4. Como a soberania de Deus, sem que seja diminuída ou limitada, se relaciona com a liberdade de escolha humana?

Se a liberdade de escolha humana fosse totalmente inexistente, então, em todos os textos que vimos no tópico acima, Deus estaria se entristecendo e lamentando sobre suas próprias determinações. Além disso, Ele estaria iludindo o homem, fazendo-o pensar que pode fazer escolhas livres. Entretanto, o Senhor não pode mentir. Se Ele diz que faz ou determina algo levando em conta atitudes humanas, então Ele realmente o faz, sem que seja menos soberano.

Para entendermos isso,  precisamos entender três verdades:

a) Deus é soberano para decidir como exerce sua própria soberania.

Por isso, qualquer escolha livre do homem só é possível se Deus soberanamente permitir. Ele é soberano para, se quiser, abrir algum espaço (ainda que mínimo) para escolhas humanas. Soberania não é necessariamente sinônimo de determinismo absoluto e meticuloso.

Se Deus permite alguma liberdade às suas criaturas, Ele o faz por sua própria decisão. Isso não é uma redução da soberania de Deus, nem mesmo uma limitação. Se Ele concedeu espaço para escolhas humanas, assim o determinou por ser soberano, sem ter que prestar explicações,  obedecer ou agradar a quem quer que seja.

É fato que há escolhas do homem que são contrárias à perfeita vontade de Deus, contudo Ele mesmo não enxerga essa situação como redução do seu poder ou de sua soberania.

“Por que razão, quando eu vim, ninguém apareceu? Quando chamei, ninguém respondeu? Acaso, se encolheu tanto a minha mão, que já não pode remir ou já não há força em mim para livrar? Eis que pela minha repreensão faço secar o mar e torno os rios um deserto, até que cheirem mal os seus peixes; pois, não havendo água, morrem de sede” (Isaías 50:2).

“Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça”(Isaías 59:1,2).

2. Ainda que tenha sido concedida alguma liberdade de escolha aos homens, estes não tem o poder de determinar as consequências de seus atos.

Os homens podem, em certos momentos, escolher livremente, mas não podem escolher os resultados de suas decisões. Deus reservou esse poder para Si mesmo. Para cada ato humano, Deus tem a resposta ou reação justa e adequada para fazer com que seu santo propósito se cumpra. Assim a soberania de Deus é mantida.

Em outras palavras, podemos dizer que o homem pode até escolher livremente, mas os destinos a que cada escolha levará já foram previamente estabelecidos pela soberania Deus.

“Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12:14).

“Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade contra os que praticam tais coisas. Tu, ó homem, que condenas os que praticam tais coisas e fazes as mesmas, pensas que te livrarás do juízo de Deus? Ou desprezas a riqueza da sua bondade, e tolerância, e longanimidade, ignorando que a bondade de Deus é que te conduz ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça. Tribulação e angústia virão sobre a alma de qualquer homem que faz o mal, ao judeu primeiro e também ao grego; glória, porém, e honra, e paz a todo aquele que pratica o bem, ao judeu primeiro e também ao grego. Porque para com Deus não há acepção de pessoas (Romanos 2:2-11).

Sendo assim, se o homem escolhe o mal, há uma sentença de Deus determinando a morte. E o homem não pode afastar ou fugir dos juízos de Deus.

“Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Romanos 1:32).

3. Deus não é mero espectador da história, mas dirige o universo para um propósito.

Deus não é como um homem que monta as regras de um jogo e depois só observa os jogadores. Ele está conduzindo a história com um propósito, para um fim. É verdade que hoje há oposições ao governo de Deus sobre o universo. Há coisas que acontecem que não correspondem à perfeita vontade de Deus. Contudo, o Pai está colocando todos os inimigos debaixo de seu Filho Jesus pés de Jesus. Todo poder será submetido a Cristo, e então Deus será tudo em todos.

“Disse o SENHOR ao meu senhor: assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés” (Salmo 110:1; ver Mateus 22:44).

“E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. … Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos” (I Coríntios 15:24-28).

Por todas essas razões podemos afirmar que a soberania de Deus é plena e total, sem que isso implique determinismo meticuloso, pois ao homem é permtido que faça certas escolhas pelas  quais se torna responsável.

Em Cristo,
Anderson Paz

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Batismo com o Espírito Santo – Por que falar nisso? https://servolivre.com/2019/01/21/o-batismo-com-o-espirito-santo-1/ https://servolivre.com/2019/01/21/o-batismo-com-o-espirito-santo-1/#respond Mon, 21 Jan 2019 12:30:59 +0000 https://servolivre.com/?p=11516 Infelizmente, ainda não há unanimidade entre os cristãos acerca do batismo com o Espírito Santo. Existem discussões que giram em

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Infelizmente, ainda não há unanimidade entre os cristãos acerca do batismo com o Espírito Santo. Existem discussões que giram em torno do significado dessa experiência, do momento em que ela ocorre e quais seriam as suas evidências. Tais divergências tomaram uma proporção tão grande que provocaram ao longo do século XX uma série de divisões em muitas comunidades.

Hoje podemos constatar que as tensões entre os diferentes grupos têm diminuído em favor da unidade do Corpo de Cristo. Essas tensões ainda não estão totalmente eliminadas, mas existe uma abertura maior para o diálogo e convivência. Entretanto, as diferenças continuam bem estabelecidas no campo teológico.

As compreensões divergentes nascem da forma como cada grupo enxerga e trata o material bíblico sobre o tema. Uma leitura rápida pode apontar aparentes diferenças entre textos narrativos (aqueles que se ocupam em relatar fatos, como a maior parte do livro de Atos) e os textos didáticos (aqueles em que o autor teve a intenção de ensinar algo, como os discursos de Jesus e dos apóstolos e as epístolas).

Além do Pentecostes, há pelo menos duas narrativas do livro de Atos que parecem  descrever o batismo com o Espírito Santo como experiência distinta e separada por um intervalo de tempo da conversão. Trata-se da experiência dos crentes em Samaria (Atos 8:14-17) e em Éfeso (Atos 19:1-7).

Contudo, há textos didáticos que se referem ao batismo com o Espírito ou recebimento do Espírito como um fato que já ocorreu com todo o cristão no início de sua jornada com Cristo. Um texto sempre citado nesse debate é o de I Coríntios 12:13:

“Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (I Coríntios 12:13).

Portanto, o problema que se apresenta é o seguinte: de um lado há textos didáticos que parecem não reconhecer nenhuma separação entre a regeneração e o batismo com o Espírito, enquanto que, por outro lado, há textos narrativos que apresentam pessoas já convertidas que ainda não haviam sido batizadas com o Espírito Santo. As tentativas de esclarecer essa questão fizeram com que surgissem duas correntes teológicas distintas.

a) A corrente que identifica o batismo com o Espírito Santo como fato ocorrido na regeneração

Para parte dos estudiosos, o batismo com o Espírito Santo é um fato que acontece na regeneração, no novo nascimento, pelo qual o crente é incluído no corpo de Cristo, independentemente desse fato ser percebido, experimentado ou sentido. Assim sendo, a regeneração e o batismo com o Espírito seriam indissociáveis e inseparáveis. No Brasil,  essa corrente tem sido chamada de “tradicional” por estar associada a denominações históricas.

Tal compreensão é construída a partir dos texto didáticos do Novo Testamento, como  I Coríntios 12:13, que já mencionamos anteriormente. Além disso, como o batismo com o Espírito também é descrito como recebimento do Espírito, necessariamente todo o cristão já o recebeu. Seria até mesmo um contrassenso dizer que alguém é cristão sem receber esse batismo, pois, como Paulo declara: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9), “porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” (Gálatas 4:6) e “o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5:5).

Sob essa ótica, o batismo com o Espírito “se efetua sem que nós tenhamos dele consciência alguma, e só sabemos que ele se realizou em nós porque Deus o afirma em sua Palavra”. Nas palavras de John Stott, o batismo com o Espírito “é uma experiência cristã universal, por ser uma experiência cristã inicial. Todos os cristãos recebem o Espírito no momento em que começam as suas vidas cristãs”.

Se o batismo com o Espírito acontece no novo nascimento, sendo um fato imperceptível, como uma pessoa saberia que o recebeu? Em primeiro lugar, essa pessoa deveria simplesmente crer que já recebeu o Espírito, tal como crê que recebeu a salvação. Além disso, a vida de quem foi batizado com o Espírito demonstraria esse fato, pois o próprio Espírito começa a operar uma obra de transformação a partir da regeneração. A presença do Espírito é evidenciada pelo seu fruto (Gálatas 5:22,23). Aquele que é nascido de Deus é caracterizado, entre outras coisas, por não viver na prática do pecado (I João 3:9), amar o seus irmãos (I João 4:7, 5:1) e vencer o mundo (I João 5:4).

Como essa corrente trata a diferença entre os textos narrativos e os textos didáticos? Ela parte do princípio de que uma doutrina não deveria ser estabelecida com base em narrativas, mas apenas nos textos didáticos. As narrativas devem ser interpretadas à luz da doutrina exposta nos textos didáticos.

Sendo assim, as narrativas de Atos que mostram a ocorrência do batismo com o Espírito como experiência posterior à conversão devem ser encaradas como situações excepcionalíssimas, que só aconteceram no período de transição entre a Antiga e a Nova Aliança, a fim de atender a propósitos muito específicos. O intervalo de tempo entre a regeneração e o batismo com o Espírito não seria normativo para os cristãos, visto que não há registro sobre isso nos textos didáticos.

Alguns identificam essa corrente com o cessacionismo, posição teológica que nega a contemporaneidade de certos dons espirituais. De fato, autores como John MacArthur sustentam tanto a tese cessacionista como a que une o batismo com o Espírito à regeneração. Entretanto, há autores continuístas, que defendem a contemporaneidade dos dons, mas que acreditam que a expressão “batismo com o Espírito” deveria ser usada para designar o recebimento do Espírito na conversão, e que, portanto, não estaria associada a um específico dom espiritual. Entre tais autores podemos mencionar D. A. Carson, Wayne Grudem e Sam Storms.

Há ainda a posição sustentada por James G. Dunn, que também associa o batismo com o Espírito à conversão. Entretanto, Dunn defende que, no Novo Testamento, a conversão não consistiria num único fato, mas sim num processo que incluiria a fé, o arrependimento, o batismo com água e o batismo ou recebimento do Espírito, sendo este o ponto culminante da conversão. Para Dunn, o batismo com o Espírito era uma experiência definida, e muitas vezes dramática, que completava a chamada “conversão-iniciação”, de tal forma que só a partir dessa experiência uma pessoa poderia ser considerada cristã.

b) A corrente que identifica o batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da regeneração

Há uma corrente defende que o batismo com o Espírito seria uma experiência consciente, definida, identificável e distinta da regeneração, podendo ser subsequente a esta. Não seria um fato automático ou imperceptível, mas uma experiência intensa que pode ser percebida por quem a vivencia.

O batismo com o Espírito é uma bênção distintiva e própria da Nova Aliança, visto que era o Messias quem o realizaria. Já a regeneração era algo que acontecia desde a Antiga Aliança. Afinal, quando Jesus falou com Nicodemos “importa-vos nascer de novo” (João 3:7), não podemos supor que estava se referindo a algo que só estaria disponível depois de Sua morte e ressurreição, como se Nicodemos tivesse que ficar a espera da possibilidade da regeneração.

Na conversa entre Jesus e Nicodemos, vemos que ninguém pode ser salvo sem nascer de novo (João 3:3-5; cf. Tito 3:5). E Jesus se referiu a seus discípulos como pessoas que deveriam se alegrar por terem seus nomes escritos nos céus (Lucas 10:20) e que já estavam limpos pela Palavra (João 15:3; cf. 13:10). Portanto, as promessas sobre o batismo com o Espírito Santo foram feitas a pessoas já regeneradas.

As narrativas de Atos que, sob a vigência da Nova Aliança, mostram um intervalo de tempo entre a conversão e o batismo com o Espírito indicariam a possibilidade de uma pessoa ser verdadeiramente regenerada, já sendo habitada pelo Espírito Santo, mas ainda assim não ter sido batizada com o Espírito.

Tal posicionamento é conhecido como “doutrina da subsequência”, designação que talvez não seja a mais apropriada, pois essa corrente admite que o batismo com o Espírito pode ocorrer quase ao mesmo tempo da regeneração, a ponto de não ser perceptível um intervalo entre os dois acontecimentos.

Portanto, o que caracteriza essa corrente não é a extensão do intervalo entre os dois eventos. Sua ênfase não estaria na subsequência temporal, mas sim na separação teológica entre a regeneração e o batismo com o Espírito, no sentido de serem acontecimentos de natureza e propósito distintos, mesmo quando ocorrem de forma quase simultânea. Em função disso, neste livro adotaremos a designação “doutrina da separabilidade”.

Há quem pense que a doutrina da separabilidade é defendida exclusivamente pelo pentecostalismo, movimento que surgiu no início do século XX. Porém, tal compreensão é muito anterior a isso, tendo precedentes no movimento puritano inglês no século XVII e em certos movimentos reavivalistas que ocorreram entre os séculos XVIII e XIX.

Entretanto, o maior responsável pela propagação da doutrina da separabilidade realmente foi o movimento pentecostal. Além disso, tal movimento também afirmou a tese de que o batismo com o Espírito Santo sempre é acompanhado pela evidência física inicial do falar em línguas. A doutrina da evidência física inicial tornou-se característica distintiva do chamado “pentecostalismo clássico” (ainda que na origem do movimento havia discordâncias sobre essa doutrina).

Como os defensores da separabilidade encaram os textos didáticos que parecem não reconhecer intervalo algum entre a regeneração e o batismo com o Espírito?

Uma das formas de lidar com essa diferença é dizer que cada autor bíblico deve ser analisado em seus próprios termos. Assim, uma mesma expressão poderia ser usada com significados diferentes por cada autor. Ao falar sobre o recebimento ou batismo com o Espírito, Paulo estaria destacando a obra do Espírito ligada à salvação, enquanto Lucas, no livro de Atos, destacaria a obra carismática de capacitação. Porém uma perspectiva não excluiria a outra, pois seriam complementares.

Há também autores que afirmam que não deveríamos estranhar que certos textos didáticos não apresentem distinção entre regeneração e o batismo com o Espírito, tendo em vista que esta era a experiência comum dos primeiros cristãos, sendo vivenciada logo nos primeiros momentos da vida cristã.

Por que escrever sobre o batismo com o Espírito Santo?

Tendo me convertido em uma denominação tradicional, desde cedo tive acesso à corrente que identifica o batismo no Espírito com a regeneração. A primeira obra que li acerca desse tema foi o livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo”, de John Stott.

O referido livro moldou, por certo tempo, minha convicção e me deu argumentos para sustentar a crença de que o batismo com o Espírito ocorre na regeneração. Eu estava de tal maneira seguro e convencido dessa posição que nem mesmo “perdia meu tempo” lendo autores que apresentassem outro ponto de vista, mas apenas os que sustentavam a mesma ideia. Considerava que os irmãos pentecostais, apesar de sinceros, não conheciam a verdadeira doutrina do batismo com o Espírito.

Contudo, houve um momento em que as lacunas e inconsistências da corrente tradicional se tornaram evidentes para mim, e a leitura de certos textos bíblicos exigiram uma reconsideração sobre a minha posição. Durante um processo de reflexão a partir das Escrituras, deixei a posição que afirmava a identidade entre o batismo com o Espírito e a regeneração. Fui convencido de que o batismo com o Espírito Santo é uma experiência distinta e separada do novo nascimento, que capacita o crente com poder para testemunhar, e que pode ser acompanhada pelo falar em línguas ou por outra manifestação.

O presente livro nasce com o propósito de compartilhar as reflexões que me levaram à mudança de posicionamento. Não tenho a intenção de que esta obra seja a mais completa sobre o tema. Meu desejo é simplesmente registrar o que foi determinante para a formação da minha compreensão atual, e com isso trazer alguma contribuição para os que se interessam pelo assunto.


Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”.

Autor: Anderson Paz
Disponível em formato digital:
– Na Amazon (clique aqui).
– Na Apple (clique aqui).

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Deus ama a todos e a cada um dos homens! https://servolivre.com/2019/01/15/deus-ama-a-todos-e-cada-um-dos-homens/ https://servolivre.com/2019/01/15/deus-ama-a-todos-e-cada-um-dos-homens/#respond Tue, 15 Jan 2019 13:14:50 +0000 https://servolivre.com/?p=11680 “Deus ama a todos e a cada um dos homens, ainda que estes tenham feito de tudo para não merecer

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“Deus ama a todos e a cada um dos homens, ainda que estes tenham feito de tudo para não merecer esse amor”. 

Seguramente, o mandamento “Amai os vossos inimigos” é um dos mais conhecidos ensinos de Jesus. Esse mandamento está fundamentado na verdade de que Deus faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos:“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (Mateus 5:43-45).

O cuidado de Deus em relação aos homens não se resume a fazer nascer o sol e dar as chuvas, e nem apenas às coisas desta terra. Afinal, “que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mateus 16:26). Todo cuidado de Deus para com os homens tem o objetivo de se fazer conhecido, de dar testemunho de Si mesmo:

“… nas gerações passadas, [Deus] permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria” (Atos 14:16,17).

O apóstolo Paulo, pregando na cidade de Atenas, se mostra convicto de que Deus proporciona condições para que os homens possam buscá-lo:

“…de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós (Atos 17:26,27).

Por isso, não deveríamos estranhar que Paulo, ao ensinar sobre o dever de orar por todos os homens, pelos reis e todas as autoridades, tenha destacado a verdade que fundamenta tal mandamento:  Deus quer que todos os homens sejam salvos:

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve prestar em tempos oportunos” (I Timóteo 2:1-6).

Orar por todos os homens é algo bom e aceitável diante de Deus, porque Ele quer que todos os homens sejam salvos, isso é evidenciado pelo fato de que Jesus se deu em resgate por todos.

Sei que certas pessoas apresentam objeções dizendo que “todos os homens”em I Timóteo 2:4 não significaria exatamente “todos os homens”, mas seria apenas uma referência a “todos os tipos ou classes de homens”. Entretanto, não vejo no texto qualquer razão  para pensar que a expressão “todos os homens” signifique  algo menos do que todos e cada um dos homens, sem qualquer exceção. Isso não deveria nos surpreender, posto que essa verdade é coerente com o que Deus revelou de Seu próprio caráter ao longo das Escrituras.

É o próprio Senhor que declara que não tem prazer na morte de ninguém, querendo antes que cada pessoa se converta e viva. Ele não tem prazer nem mesmo na morte do perverso, desejando sua conversão.

“Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei” (Ezequiel 18:32).

Acaso, tenho eu prazer na morte do perverso? – diz o SENHOR Deus; não desejo eu, antes, que ele se converta dos seus caminhos e viva? (Ezequiel 18:23).

“Dize-lhes: Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, não tenho prazer na morte do perverso, mas em que o perverso se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que haveis de morrer, ó casa de Israel?”(Ezequiel 33:11).

 

Deus verdadeiramente quer que o perverso deixe o seu mau caminho. O Senhor é rico em perdoar:

“Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar (Isaías 55:6,7).

Segundo o apóstolo Pedro, o Senhor é paciente, não querendo que ninguém pereça, mas sim que todos cheguem ao arrependimento.

“Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento” (II Pedro 3:9).

De fato, há alegria no céu quando um pecador se arrepende (Lucas 15:7).

E o que Deus fez para salvar o homem? Deu a maior demonstração de amor ao mundo, dando a vida de seu Filho unigênito, para que os que creem nEle tenham a vida eterna. A vida de Jesus foi dada em favor da vida do mundo.

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3:16).

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém dele comer, viverá eternamente; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne” (João 6:51).

Se ainda há alguém que duvide da extensão do amor de Deus, o apóstolo João deixa claro que Jesus é a propiciação pelos pecados do mundo inteiro.

“e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro (I João 2:2).

Verdadeiramente, Jesus provou a morte por todos e a extensão da graça de Deus, de Seu favor imerecido, alcança a todos os homens. Assim como o pecado atingiu a todos, sem exceção, assim a misericórdia de Deus veio sobre todos.

“vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem (Hebreus 2:9).

“Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para a justificação que dá vida” (Romanos 5:18).

“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens” (Tito 2:11).

A obra redentora foi possível porque Deus ama a todos. Por tudo isso, Paulo pôde declarar com toda certeza que o Deus vivo é o “Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (I Timóteo 4:10). À luz de João 3:16, sabemos que a salvação é oferecida ao mundo, mas só a recebem aqueles que depositam sua fé em Cristo. Jesus é o Salvador de todos os homens, pois não há nenhum outro nome pelo qual possamos ser salvos (Atos 4:12), mas Ele salva efetivamente todo aquele que crê no Evangelho, aquele que dá crédito à pregação.

Deus quis que fosse assim. Ele escolheu salvar pela loucura da pregação (I Coríntios 1:21). Por isso Jesus enviou seus discípulos a pregar o Evangelho à toda a criatura, anunciando a todos os homens que se arrependam de seus pecados. A fé vem por ouvir a pregação, e todo aquele que invocar o  nome do Senhor será salvo.

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura(Marcos 16:15).

“Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (Atos 17:30).

“Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Romanos 10:13).

O que torna possíveis a fé e o arrependimento é a obra do Espírito Santo de convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (João 16:8-11)

É verdade o homem pode rejeitar à Palavra, resistir ao Espírito Santo e se recusar a crer e a se arrepender (Lucas 7:30, João 1:11; Mateus 23:17; Atos 7:51, 13:46 e 19:9; Apocalipse 2:21 e 16:11). Mas, apesar disso, o Evangelho continua sendo oferecido sinceramente por Deus a todo homem. Todos os que estão cansados e sobrecarregados podem ouvir do próprio Senhor: “Vinde a mim!” (Mateus 11:28,29). Os sedentos podem ouvir: “Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida” (Apocalipse 22:17). E multidões têm sido saciadas ao longo da história.

De fato, Deus ama a todos e a cada um dos homens, sem qualquer exceção. Deus é amor (I João 4:8)

Em Cristo,
Anderson Paz

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“Aborto não pode, mas matar adulto pode?!” – A pena de morte na Bíblia https://servolivre.com/2018/09/26/a-pena-de-morte-na-biblia-2/ https://servolivre.com/2018/09/26/a-pena-de-morte-na-biblia-2/#respond Wed, 26 Sep 2018 17:28:59 +0000 https://servolivre.com/?p=11653 Muitas vezes, aqueles que condenam o aborto são questionados por não se oporem com a mesma intensidade e veemência contra

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Muitas vezes, aqueles que condenam o aborto são questionados por não se oporem com a mesma intensidade e veemência contra discursos que defendem a  pena de morte, o excludente de ilicitude para policiais que abatem criminosos em combate, ou que defendem penas mais severas para criminosos.

Desde já esclareço que este texto não consiste em uma defesa da pena de morte. Aliás, nenhum presidente poderia instituí-la no Brasil, pois tal pena é proibida por cláusula pétrea em nossa Constituição. O que pretendemos com este texto é descobrir se a Bíblia, especialmente o Novo Testamento, permite a aplicação da pena de morte por parte das autoridades. Lembrando que permissão não significa obrigação. Se constatarmos que a Bíblia permite a pena de morte, isso não significaria que as autoridades necessariamente seriam obrigadas a aplicá-la.

Não sei se você concorda comigo, mas penso que os apóstolos no Novo Testamento estavam mais capacitados do que nós para entender o que Jesus ensinou. Falo isso não só porque eles viveram num período histórico próximo de Jesus, mas porque parte essencial de seus ministérios era ensinar tudo o que Jesus ordenou (Mateus 28:18-20). Por isso, em Atos 2:42 vemos que a igreja perseverava na doutrina dos apóstolos, que não era outra coisa senão a doutrina de Jesus.

Se você concorda comigo, gostaria de chamar atenção para o que Paulo escreveu:

“Não torneis a ninguém mal por mal; esforçai-vos por fazer o bem perante todos os homens;
se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;
não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira; porque está escrito: A mim me pertence a vingança; eu é que retribuirei, diz o Senhor.
Pelo contrário, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”
(Romanos 12:17-21).

Ao lermos essas palavras de Paulo, veremos que estão em total consonância com o que Jesus ensinou sobre amar os nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem, abençoar os que nos maldizem, dar a outra face, andar a outra milha etc.. Paulo nos ensina a não nos vingar a nós mesmo. Isso não significa que o mal causado a nós ficará impune, mas sim que a vingança pertence a Deus. Ou seja, não tomar vingança é expressão de confiança no Senhor.

Mas não podemos abandonar o texto por aí. Precisamos seguir a leitura para o capítulo seguinte. Afinal, a carta aos Romanos não foi escrita originalmente dividida em capítulos e versículos.

Portanto, logo após falar sobre a vingança pessoal, Paulo começa escrever sobre a função das autoridades. Um assunto está conectado ao outro.

Especificamente em Romanos 13:3,4, Paulo escreve:

“Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal
(Romanos 13:3,4).

Eu não sei se você percebeu a conexão que existe entre os dois textos. Em Romanos 12, Paulo ensina que não devemos vingar a nós mesmos, pois a vingança pertence ao Senhor. Entretanto, no capítulo seguinte, o apóstolo escreve que a autoridade é ministro (servo) de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

Ora, estaria Paulo em contradição? Em um momento ela afirma que a vingança é o Senhor, e depois afirma que a autoridade é ministro de Deus, vingador, para castigar quem faz o mal?

Não vejo contradição alguma entre esses textos, pois o que a Bíblia condena é a vingança pessoal, o retribuir o mal com mal, o ódio. Mas a mesma Bíblia autoriza as autoridades a punirem quem pratica o mal.

Precisamos fazer distinção entre o papel do cristão, enquanto indivíduo na sociedade, e o papel da autoridade. O cristão deve perdoar, dar outra face, andar outra milha etc. O cristão pode, por causa do perdão, deixar de levar uma demanda à juízo.

Entretanto, a autoridade, como ministro de Deus para promover a ordem e o bem comum, não pode fugir do papel de louvar quem faz o bem e punir quem faz o mal. Afinal, não vivemos em um mundo pleno amor, e as autoridades governam sobre justos e injustos. Se autoridades abrirem mão de seu papel, estaríamos entregues à barbárie, pois a violência não encontraria limite.

Nesse sentido, vale lembrar Eclesiastes 8:11:

“Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Eclesiastes 8:11).

Punir o mal é uma forma de evitar que o coração dos homens fique totalmente disposto à praticar o mal. O maior incentivo à criminalidade é a impunidade.

“O homem de grande ira tem de sofrer o dano; porque, se tu o livrares, virás ainda a fazê-lo de novo” (Provérbios 19:19).

Uma vez que a autoridade está incumbida por Deus de punir o mal, que poderes ela tem para cumprir essa papel? Paulo responde essa pergunta dizendo que a autoridade traz a espada para cumprir essa função.

“… se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal” (Romanos 13:4) 

Portanto, a referência à “espada” em Romanos 13 diz respeito ao poder de, até mesmo de, tirar a vida. Isso fica especialmente claro quando vemos que o apóstolo concebia a possibilidade de que houvesse crimes dignos de morte.

“Caso, pois, tenha eu praticado algum mal ou crime digno de morte, estou pronto para morrer; se, pelo contrário, não são verdadeiras as coisas de que me acusam, ninguém, para lhes ser agradável, pode entregar-me a eles. Apelo para César” (Atos 25:11).

É importante destacar que Pedro repete, de forma resumida, o mesmo ensino de Paulo sobre o papel das autoridades. Ambos os apóstolos entendiam que a autoridade deve louvar quem faz o bem e punir quem faz o mal.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem” (I Pedro 2:13,14).

Será que os apóstolos Pedro e Paulo não entenderam bem o que Jesus ensinou sobre amor ao próximo? Creio que eles entenderam plenamente. Mas também entenderam o que Jesus ensinou sobre a função das autoridades. Jesus reconhecia que as autoridades tinham até mesmo poder para aplicarem a pena capital.

“Então, Pilatos o advertiu: Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar? Respondeu Jesus: Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de cima não te fosse dada; por isso, quem me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:10,11).

Quando ordenou a Pedro que guardasse a sua espadada, Jesus declarou:

“Embainha a tua espada; pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão” (Mateus 26:52).

Se quem lança mão da espada à espada perecerá, quem carrega a espada para executar esse juízo? Como já vimos, Paulo responde essa pergunta em Romanos 13:4. Quem traz a espada é a autoridade.

Isso quer dizer que a autoridade é infalível? A autoridade estaria imune a erros e sem necessidade de ser controlada ou limitada? Claro que não! O fato da autoridade ser ministro de Deus significa que prestará contas a Ele e que deve exercer sua função dentro dos limites estabelecidos pelo Senhor.

Com isso não estou dizendo que sou favorável à pena de morte. Como já disse, esse tipo de pena é proibida no Brasil por cláusula pétrea em nossa Constituição. Entretanto, não posso dizer que a Bíblia condena a pena de morte. Você pode até ser contra a pena de morte por razões políticas ou sociais, mas não porque a Bíblia a proíbe. O que as Escrituras condenam é a vingança pessoal.

Quanto à pena capital, eu ainda destacaria que, quando o Senhor a instituiu em Gênesis 9:6, antes da Lei de Moisés, foi justamente em função do valor e da dignidade da vida humana. Como o homem foi criado à imagem de Deus, quem derramasse o sangue de um homem também teria o seu sangue derramado por outro homem.

“Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem” (Gênesis 9:6).

Justamente pelo fato da pena capital ter sido instituída devido ao valor da vida humana é que não pode se comparada ao aborto. A  pena capital diz respeito a um criminoso, enquanto o aborto é uma violência contra um inocente.

Em Cristo,
Anderson Paz

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Política, imoralidade e fé cristã https://servolivre.com/2018/09/14/politica-imoralidade-e-fe-crista-2/ https://servolivre.com/2018/09/14/politica-imoralidade-e-fe-crista-2/#respond Fri, 14 Sep 2018 23:49:47 +0000 https://servolivre.com/?p=11644 Nesse período de eleições, para contribuir com a reflexão daqueles que acompanham o blog Conexão Eclésia, queremos indicar a série

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Nesse período de eleições, para contribuir com a reflexão daqueles que acompanham o blog Conexão Eclésia, queremos indicar a série de 11 vídeos em que Marcos S. Moraes fala sobre “Política, imoralidade e fé cristã”. Vale a pena assistir esse conteúdo e refletir.

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Como as experiências (ou a falta delas) podem impactar a leitura da Bíblia? https://servolivre.com/2018/07/30/nossas-experiencias-e-leitura-da-biblia/ https://servolivre.com/2018/07/30/nossas-experiencias-e-leitura-da-biblia/#respond Mon, 30 Jul 2018 13:10:21 +0000 https://servolivre.com/?p=11613 A nossa relação com as Escrituras deve ser orientada pela verdade de que elas estão acima das nossas experiências pessoais.

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A nossa relação com as Escrituras deve ser orientada pela verdade de que elas estão acima das nossas experiências pessoais. Não podemos nos colocar diante da Bíblia para condicioná-la às nossas vivências, ainda que estas sejam intensas ou extraordinárias. Todo alerta nesse sentido sempre é necessário. Por vezes, corremos o risco de valorizar experiências pessoais e alça-las à posição de verdade, sem submetê-las ao crivo da Palavra de Deus. Não podemos nunca ceder à tentação de manipular, distorcer ou negar a Palavra a fim afirmarmos nossas experiências como verdade. Afinal, “Seja Deus verdadeiro, e mentiroso, todo homem” (Romanos 3:4) e “Porque nada podemos contra a verdade, senão em favor da própria verdade” (I Coríntios 13:8).

Como bem destaca John Stott:

Somente quando a Palavra de Deus habitar ricamente em nós seremos capazes de avaliar as experiências que nós e outros podemos ter. A experiência jamais deve ser o critério da verdade; a verdade tem sempre de ser o critério da experiência”.

Quem não submete suas experiências à Palavra de Deus, sempre vai correr o risco  de dar ouvidos a outro Evangelho, principalmente se este for anunciado por aparentes anjos (Gálatas 1:8; II Coríntios 11:13-15). 

Entretanto, na nossa relação com as Escrituras, há outro risco que nem sempre é devidamente alertado: muitos de nós, por causa da própria experiência ou por falta dela,  podem enxergar na Bíblia algo menor do que ela quer nos dizer.

Martin Lloyd-Jones denuncia dois erros cometidos com relação às Escrituras. O primeiro é o de colocarmos nossa experiência acima da Bíblia, a ponto de até mesmo contradizê-la. Já o segundo erro é o de acharmos que a Bíblia fala menos do que ela realmente diz. Nesse sentido:

“Este segundo perigo é, então, o de ficarmos satisfeitos com algo muito menor do que nos oferece as Escrituras, e de interpretar as mesmas em função de nossas experiências, reduzindo assim seu ensino ao nível do que sabemos ou experimentamos”.

Ao projetamos nossa falta de experiência sobre certos textos didáticos que tratam do recebimento do Espírito, podemos não perceber que eles carregam um aspecto experiencial muito maior do que se imagina.

Vejamos, por exemplo, a declaração de Paulo em Gálatas 3:1 e 2:

“Ó gálatas insensatos! Quem vos fascinou a vós outros, ante cujos olhos foi Jesus Cristo exposto como crucificado? Quero apenas saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé?”

A fim de confrontar o legalismo que estava contaminando os gálatas, Paulo chama a atenção para o fato de que eles receberam o Espírito pela fé. Se com a expressão “recebestes o Espírito” o apóstolo estivesse falando apenas de uma verdade na qual foram ensinados, uma doutrina da qual foram informados, seu argumento não teria tanta força. Se a presença do Espírito não pudesse ser percebida e notada entre os gálatas, assim como eles foram ensinados que o Espírito é dado pela fé, algum mestre judaizante poderia convencê-los que o Espírito é dado pelas obras da lei.

Entretanto, a força do argumento de Paulo estava na experiência viva que os gálatas tinham com o Espírito, sem que tivessem qualquer mérito nisso. O contexto deixa claro que Paulo queria mostrar aos gálatas que as experiências que eles tinham com o Espírito não eram resultado da obediência à lei, mas sim eram recebidas pela fé. Não podemos ler Gálatas 3 e pensarmos no Espírito como uma presença secreta e silenciosa, que não pode ser percebida por quem a recebeu.

“Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais, agora, vos aperfeiçoando na carne? Terá sido em vão que tantas coisas sofrestes? Se, na verdade, foram em vão. Aquele, pois, que vos concede o Espírito e que opera milagres entre vós, porventura, o faz pelas obras da lei ou pela pregação da fé? (Gálatas 3:3-5).

O mesmo poderíamos dizer do testemunho do Espírito acerca da nossa filiação. Quando Paulo escreve aos romanos dizendo que “o próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”, ele não estava falando sobre uma informação dada  pelo apóstolo, mas sim sobre o testemunho dado diretamente pelo próprio Espírito, que enche a pessoa de convicção de sua filiação, a ponto de nos fazer clamar: Aba, Pai (Romanos 8:15,16). A palavra grega traduzida como clamar é krazo, que também pode ser traduzida como gritar, berrar, vociferar, chorar alto. O testemunho de que somos filhos de Deus nos faz gritar: Aba, Pai! Portanto, a presença do Espírito em nós deve ser mais do que uma informação.

É um equívoco lermos o ensino das epístolas sobre a obra do Espírito sem considerarmos que elas pressupõem a história narrada no livro de Atos. É naquele contexto que surgem as igrejas destinatárias das epístolas. Ao olharmos para o livro de Atos, é impossível não percebermos como os primeiros cristãos experimentavam de forma viva, perceptível e dinâmica a presença do Espírito. Não se tratava de apenas uma doutrina, mas de uma experiência concreta.


Extraído do livro “O Batismo com o Espírito Santo”, de Anderson Paz

Disponível em formato digital:
– Na Amazon (clique aqui).
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